Dezasseis anos depois, vitória esmagadora de Péter Magyar nas eleições coloca ponto final no governo de Órban
Tisza conseguiu 138 dos 199 assentos parlamentares. Partido de Órban obteve apenas 55 lugares.
Dezasseis anos depois de comandar o poder da Hungria, Viktor Orbán assumiu esta noite a derrota nas eleições legislativas deste domingo. Os votos ainda estão a ser contados, mas tudo aponta para uma vitória esmagadora de Péter Magyar, o candidato da oposição e líder do partido de centro-direita Tisza.
As eleições deste domingo bateram um novo recorde. A votação atingiu a maior afluência de sempre, com 77,8% dos húngaros a exercerem o direito ao voto.
Com 96,9% dos votos contados, foram atribuidos ao partido Tisza 138 dos 199 assentos parlamentares, cinco lugares a mais daqueles que Péter Magyar precisava para conquistar a maioria de dois terços.
"Conseguimos: o Tisza e a Hungria ganharam estas eleições. Não por pouco, mas por uma margem enorme, uma vitória verdadeiramente esmagadora", declarou Péter Magyar depois de ser certo que colocou um ponto final no poder de Órban.
O partido de Órban obteve apenas 55 lugares no Parlamento húngaro e o partido de de extrema-direita Nossa Pátria conquistou seis mandatos.
Magyar disse que já foi congratulado por Órban ao telefone. Nas primeiras declarações ao país, no decorrer da contagem dos votos, o populista admitiu que a derrota é "dolorosa, mas clara".
“A responsabilidade e a oportunidade de governar não nos foram dadas”, asseverou. Apesar do resultado, Órban admitiu fazer oposição ao governo que vai assumir funções e prometeu não dececionar os 2,5 milhões de pessoas que votaram no seu partido Fidesz.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, também não perdeu tempo a parabenizar Magyar. "O coração da Europa bate mais forte na Hungria esta noite. A Hungria escolheu a Europa. A Europa sempre escolheu a Hungria. Juntos, somos mais fortes. Um país retoma o seu caminho europeu. A União se fortalece.”
As estas reações junta-se a de Roberta Metsola, presidente do Parlamento Europeu: "O lugar da Hungria é no coração da Europa", afirmou.
Esta é a primeira vez que Péter Magyar subirá ao cargo de primeiro-ministro, depois de Órban o ter ocupado durante quatro mandatos consecutivos. A nível europeu, os dois candidatos, defendem ideologias diferentes. Enquanto Órban mantém um braço de ferro com as instituições europeias, Magyar destacou durante a campanha eleitoral a vontade de a Hungria ser um membro leal à União Europeia e aliado da NATO. No que ao apoio da Ucrânia diz respeito, as posições assumidas pelos dois húngaros são igualmente diferentes.
Nos últimos dias, os EUA declararam apoio ao partido de Órban. O vice-presidente norte-americano, JD Vance, chegou a estar em Budapeste e durante um discurso de campanha telefonou a Donald Trump para que o presidente elogiasse o trabalho desenvolvido pelo aliado nos últimos anos.
Apesar de agora se assumirem como adversários, Magyar e Órban já foram politicamente bastante próximos. Em 2024, Magyar abandonou o partido Fidesz na sequência de um escândalo de corrupção que levou à demissão da na altura ministra da Justiça, Judit Varga, com quem o advogado, de 45 anos, tinha casado. Desde então tornou-se líder do partido da oposição, conseguindo alcançar o segundo lugar, com perto de 30% dos votos, nas europeias de 2024.
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