Vingança iraniana espalha o caos no Médio Oriente

Regime de Teerão ataca bases americanas e países vizinhos em retaliação pela morte do ayatollah Khamenei.

02 de março de 2026 às 01:30
Míssil iraniano fez nove mortos em Beit Shemesh, Israel Foto: Abir Sultan/EPA
Destruição. Explosões no centro de Teerão no segundo dia da ‘Operação Fúria Épica’, que já fez mais de 200 mortos Foto: Abedin Taherkenareh/EPA
Celebração. Dezenas de iranianos juntaram-se em Lisboa para festejar a morte de Khamenei e pedir o regresso do filho do xá Foto: EPA
Fúria. Manifestantes atacaram o consulado dos EUA em Carachi, Paquistão.Confrontos com a polícia fizeram 22 mortos Foto: AP
Ofensiva. Caça F/A-18E norte-americano aterra no porta-aviões ‘USS Abraham Lincoln’ após mais um ataque contra alvos no Irão Foto: AP

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O Irão lançou este domingo centenas de drones e mísseis contra as bases norte-americanas no Médio Oriente e os países vizinhos em retaliação pelo morte do ayatollah Ali Khamenei, matando pelo menos nove pessoas em Israel e atingindo aeroportos, hotéis e edifícios residenciais no Dubai, Abu Dhabi, Qatar, Bahrain e Koweit, causando o pânico entre a população e os muitos estrangeiros - incluindo portugueses - que residem ou se encontram de férias na região.

“Cruzaram uma linha vermelha e vão pagar caro. Os nossos ataques serão tão devastadores que terão de suplicar para pararmos”, afirmou o líder do Parlamento de Teerão, Mohammad Bagher Qalibaf, enquanto o presidente Mahmood Pezeshkian defendeu que a vingança “é um direito legítimo e um dever” da República Islâmica após a morte do seu líder supremo nos ataques israelo-americanos de sábado.

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A vingança iraniana foi imediata. Horas depois de confirmada oficialmente a morte do ayatollah Khamenei e de dezenas de outros dirigentes iranianos, incluindo o ministro da Defesa, o comandante dos Guardas da Revolução e o ex-presidente Mahmood Ahmadinejad, o Irão lançou vagas sucessivas de ataques de mísseis e drones, não só contra as bases norte-americanas na região, mas também contra Israel e vários países vizinhos. O ataque mais grave atingiu vários edifícios residenciais em Beit Shemesh, nos arredores da cidade israelitas de Jerusalém, matando pelo menos nove pessoas e ferindo dezenas de outras. Em Abu Dhabi, destroços de um drone atingiram o aeroporto internacional, matando uma pessoa, enquanto no Dubai, além do aeroporto, foram atingidos os hotéis Fairmont The Palm e o icónico Burj al-Arab. Há ainda registo de pelo menos um morto no Koweit e de dezenas de mísseis e drones intercetados no Qatar, Jordânia, Arábia Saudita e Omã, país que atuou como mediador nas recentes negociações entre os EUA e o Irão.

O Comando Central dos EUA confirmou a meio da tarde que três militares norte-americanos “morreram em combate” e cinco outros ficaram feridos, não tendo divulgado mais pormenores.

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O presidente Donald Trump avisou o Irão para cessar imediatamente as ações de retaliação. “É melhor que não o façam. Se continuarem a fazê-lo, serão atingidos com uma força nunca antes vista”, ameaçou. Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que as forças israelitas voltaram este domingo a atacar “o coração de Teerão” e que os ataques “vão intensificar-se” nos próximos dias.

E TAMBÉM

Ex-presidente morto

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O Irão confirmou este domingo que o ex-Presidente Mahmoud Ahmadinejad foi morto nos ataques dos EUA e de Israel. Ahmadinejad, de 69 anos, foi Presidente do Irão entre 2005 e 2013 e pertencia à ala dura do regime islâmico, tendo apelado à destruição de Israel e negado o Holocausto. Foi um dos principais impulsionadores do programa nuclear.

Porta-aviões atacado

O Irão disse ter lançado este domingo quatro mísseis contra o porta-aviões ‘USS Abraham Lincoln’. EUA garantem que “não chegaram nem perto”.

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Trump diz que nova liderança iraniana quer negociar 

Donald Trump garantiu que a nova liderança interina do Irão manifestou interesse em retomar as negociações. “Eles querem conversar e eu aceitei. Deviam tê-lo feito mais cedo, esperaram demasiado tempo”, disse o Presidente dos EUA em entrevista à revista ‘The Atlantic’, não esclarecendo quando e onde vão decorrer as negociações. Trump adiantou ainda que alguns dos responsáveis iranianos envolvidos nas anteriores negociações “já não estão vivos”. O anúncio de Trump parece contradizer as declarações do MNE iraniano, Abbas Araghchi, que, ao ser questionado sobre a possibilidade de as negociações serem retomadas, afirmou: “Negociámos duas vezes com os EUA nos últimos 12 meses. Das duas vezes, eles atacaram-nos enquanto as negociações estavam em curso. Foi uma experiência amarga para nós”, acusou.

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