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1.º de Maio: Cerca de 30 feridos e 72 detidos em Istambul

Violentos distúrbios que marcaram as cerimónias do Dia do Trabalhador.

01 de maio de 2013 às 18:34

Cerca de 30 pessoas, a maioria das quais agentes policiais, ficaram esta quarta-feira feridas e 72 foram detidas, nos violentos distúrbios que marcaram as cerimónias do Dia do Trabalhador, em Istambul, anunciou o governador.

Istambul foi declarada "cidade fechada" e qualquer manifestação ou concentração foi proibida devido às obras em curso na emblemática praça Taksim.

"Vinte e dois polícias ficaram feridos nos incidentes", indicou o governador, Avni Mutlu.

Em declarações aos jornalistas, depois do fim dos confrontos, Mutlu indicou que um dos agentes foi operado a um traumatismo craniano. O ferimento foi causado por uma bola de aço projetada por lança-pedras, sublinhou.

Três civis, manifestantes, ficaram feridos, acrescentou Mutlu, atribuindo a responsabilidade dos incidentes a "grupos marginais".

Jornalistas da agência noticiosa francesa AFP no local tinham constatado, anteriormente, a existência de uma dezena de feridos entre os manifestantes, a maioria dos quais com problemas cardíacos devido ao gás lacrimogéneo usado abundantemente pela polícia antimotim.

Logo ao início da manhã, vários milhares de manifestantes, em pequenos grupos de algumas centenas, tentaram entrar na praça Taksim pelas ruas adjacentes, mas confrontaram-se com uma força de 22.000 polícias mobilizados para impedir a progressão da manifestação.

Os confrontos terminaram com a dispersão dos manifestantes.

As unidades antimotim da polícia atuaram de forma muito rigorosa para impedir os agrupamentos no bairro de Besiktas, a dois quilómetros de Taksim, na margem europeia da cidade.

Algumas centenas de manifestantes, concentrados na sequência do apelo de partidos de esquerda e de sindicatos, responderam e lançaram pedras.

"Morte ao fascismo", "Longa vida ao 1.º de Maio", gritaram os manifestantes.

Os distúrbios continuaram durante várias horas em pelo menos três bairros que dão acesso à praça Taksim, isolada e com os acessos cortados para impedir os manifestantes de chegarem àquele ponto.

Os transportes rodoviário, ferroviário e marítimo para Taksim foram também suspensos, dificultando a circulação na zona.

Um grupo de cerca de 30 feministas, com bandeiras violetas, foram afastadas pela polícia com granadas de gás lacrimogéneo.

"Assassinos sem honra", gritava um idoso, enquanto a polícia continuava a disparar granadas, apesar dos pedidos de ajuda para tratar as pessoas afetadas.

Em contrapartida, o Dia do Trabalhador foi celebrado sem incidentes em pelo menos duas outras praças de Istambul e em outras grandes cidades da Turquia, noticiaram as cadeias de televisão.

O governo turco decidiu proibir a manifestação de 1.º de Maio na praça Taksim, por considerar que as obras, iniciadas em novembro passado, não permitiam garantir a segurança de dezenas de milhares de participantes.

A polícia interveio também perto da sede da central sindical Disk (esquerda), junto a Taksim, utilizando granadas de gás lacrimogéneo contra os manifestantes.

Deputados do principal partido da oposição (CHP, social-democrata), que se encontravam no local, tiveram de se abrigar em edifícios próximos.

"É uma repressão inaceitável contra os trabalhadores", declarou aos jornalistas o vice-presidente da formação, Gursel Tekin.

A 01 de maio de 1977, desconhecidos abriram fogo na manifestação, desencadeando o pânico entre a multidão e a morte de 34 pessoas.

O parlamento turco restabeleceu o feriado a 01 de maio em 2009 e o governo autorizou as manifestações no ano seguinte em Taksim.

O governo tinha autorizado a deposição de uma coroa de flores, em memória das vítimas de 1977.

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