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Parlamento britânico adia Brexit mas rejeita eleições

Oposição admite ida às urnas, mas só depois de adiamento do Brexit ser irreversível.

05 de setembro de 2019 às 08:48

O Parlamento britânico infligiu esta quarta-feira uma humilhante dupla derrota a Boris Johnson, ao forçar um adiamento por três meses do Brexit para travar uma saída sem acordo e ao chumbar a proposta do primeiro-ministro para antecipar as eleições para 15 de outubro. Johnson acusou o líder da oposição, Jeremy Corbyn, de "cobardia" por recusar ir a votos, mas este rejeitou o que disse ser uma "armadilha" e garantiu que só aceitará eleições quando o adiamento do Brexit for irreversível.

A moção apresentada pela oposição para forçar Boris Johnson a pedir um novo adiamento do Brexit por três meses foi aprovada por 327 votos a favor e 299 contra. Vinte e um deputados conservadores desafiaram o partido e votaram a favor da moção, que visa impedir Boris Johnson de cumprir a promessa de sair da UE a 31 de outubro "com ou sem acordo", tal como já tinham feito na noite de terça-feira para permitir à oposição o controlo da agenda legislativa do Parlamento para poder votar o adiamento.

O primeiro-ministro tinha prometido que, em caso de derrota, iria pedir ao Parlamento para convocar novas eleições, e assim fez, mas os seus planos foram mais uma vez travados pelos deputados. Johnson precisava de uma maioria de dois terços para convocar as eleições, mas a oposição trabalhista absteve-se, alegando que a medida não passava de uma "armadilha" do PM para protelar ou mesmo cancelar a entrada em vigor do adiamento do Brexit esta quarta-feira aprovado.

"Nada do que Johnson fez nas últimas semanas nos garante que ele tencione cumprir a lei", disse o deputado trabalhista John McDonnell, garantindo que o partido "quer eleições" mas só aceitará a sua convocação depois de o adiamento do Brexit ter sido definitivamente aprovado pelas duas câmaras do Parlamento e promulgado pela rainha Isabel II.

PORMENORES 

Suspensão é legal

Um tribunal escocês considerou ontem que a suspensão do Parlamento britânico durante cinco semanas, determinada pelo primeiro-ministro Boris Johnson, é legal e não pode ser alvo de contestação judicial.

Desastre natural

A Comissão Europeia propôs utilizar 600 milhões de euros do fundo europeu para desastres naturais para fazer frente aos efeitos de uma saída sem acordo do Reino Unido da UE. A verba será usada para apoiar empresas, trabalhadores e os estados-membros mais afetados por um ‘Brexit duro’.

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