Antigo responsável é acusado de ter aceitado subornos do grupo Trafigura.
A Procuradoria-Geral (PG) da Suíça acusou um antigo político angolano e dois ex-dirigentes da empresa de intermediação suíça Trafigura de corrupção, num caso inédito de acusação contra uma empresa suíça por tentar corromper políticos estrangeiros.
"Um antigo responsável angolano é acusado de ter aceitado, entre abril de 2009 e outubro de 2011, subornos de mais de 4,3 milhões de euros e 604 mil dólares, do grupo Trafigura, relacionado com as suas atividades na indústria do petróleo em Angola", lê-se na acusação, divulgada no site da PG suíça, que não refere o nome dos envolvidos.
Além desta acusação, "um antigo intermediário e um antigo administrador sénior do Grupo Trafigura são acusados de estarem envolvidos neste esquema de corrupção", lê-se ainda na nota, que dá conta de uma acusação à Trafigura BEHHER BV por não ter tomado as medidas para impedir estes pagamentos.
"Pela primeira vez, o Tribunal Criminal Federal é chamado a julgar a responsabilidade criminal de uma empresa por suborno de dirigentes públicos estrangeiros", sublinha-se ainda na nota.
Na explicação da acusação, a PG afirma que abriu uma investigação contra desconhecidos em julho de 2020 devido a suspeitas de corrupção de autoridades estrangeiras e de lavagem de dinheiro relacionada com potenciais pagamentos corruptos a pessoas com responsabilidades públicas em Angola, mas explica que acabou por deixar cair a acusação de lavagem de dinheiro.
"Em agosto de 2021, a investigação foi alargada para incluir o primeiro réu, o antigo presidente executivo [Chief Executive Officer, no original em inglês] e membro executivo da Sonangol Distribuidora, uma subsidiária da companhia petrolífera angolana Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol), por suspeitas de corrupção de autoridades estrangeiras", lê-se na nota.
Depois, entre janeiro e março de 2023, "a investigação criminal foi novamente alargada para incluir o segundo réu, um antigo intermediário do grupo Trafigura em Angola, e o terceiro réu, o antigo diretor executivo de operações [Chief Operating Officer, no original em inglês] e membro do conselho de administração da Trafigura BEHEER, ambos por suspeita de corrupção de autoridades estrangeiras, bem como a Trafigura BEHEER por suspeitas de corrupção de autoridades estrangeiras".
Na acusação, as autoridades judiciais suíças dizem que o esquema de corrupção que envolve a Trafigura em Angola poderá ter beneficiado a companhia suíça em 143,7 milhões de dólares, por ter ganhado indevidamente contratos de frete e abastecimento de navios entre junho de 2009 e julho de 2010.
No período a que se refere a acusação, o presidente da Sonangol era Manuel Vicente, e o diretor executivo de operações da Trafigura era Mike Wainwright.
"Como contrapartida das vantagens indevidas, o funcionário público angolano terá favorecido os interesses do Grupo Trafigura, permitindo o desenvolvimento de atividades de frete e abastecimento de navios entre o Grupo Trafigura e a Sonangol Distribuidora, nomeadamente a celebração, entre junho de 2009 e julho de 2010, de oito contratos de frete de navios e um contrato de abastecimento de navios", lê-se na acusação.
De acordo com a argumentação das autoridades suíças, "o primeiro arguido [antigo CEO da Sonangol Distribuidora] terá aceitado, entre abril de 2009 e outubro de 2011, na sua qualidade de funcionário público angolano, vantagens indevidas do Grupo Trafigura sob a forma de transferências bancárias no valor total de 4.346.176,60 euros feitas para uma conta bancária em Genebra, pagamentos em numerário no valor total de 604 mil dólares - em Angola, e pagamento de despesas de hotel e refeições no valor total de 797,25 francos suíços relacionadas com uma estadia em Genebra", o que constitui, argumenta a acusação, um "suborno passivo de funcionários públicos estrangeiros".
O segundo arguido, "atuando através de uma sociedade offshore como intermediário do Grupo Trafigura, do qual é antigo funcionário, terá concedido, entre agosto de 2009 e outubro de 2011, parte das vantagens indevidas acima referidas ao funcionário público angolano, sob a forma de transferências bancárias no montante total de 3.991.315 euros para uma conta bancária em Genebra e pagamentos em numerário no montante total de 604 mil dólares em Angola", o que constitui "um suborno ativo de funcionários públicos estrangeiros".
Por último, a acusação agora tornada pública diz que o terceiro arguido, um quadro superior do grupo Trafigura, além de conceder as vantagens já referidas, também "terá concedido estas vantagens indevidas por omissão, quando ocupava um cargo de fiador no Grupo Trafigura", o que "constitui um suborno ativo de funcionários públicos estrangeiros".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.