A banda encerrou no B.Leza a digressão de Fladu Fla e apresentou ao vivo o novo single, Nho Buli, gravado com os Ferro Gaita.
Fogo Fogo ao vivo ganha outra dimensão
Os Fogo Fogo começaram por tocar clássicos da música tradicional cabo-verdiana para um público lisboeta, mas com o disco de originais Fladu Fla encontraram a sua sonoridade com um funaná composto à medida da banda. Para abrir o ano, e começar um novo ciclo, já foi lançada a música Nho Buli, gravada com os Ferro Gaita, um tema que a banda estreou ao vivo no último concerto que deu em 2023, no B.Leza.
"Fogo Fogo começou com um desejo de tocar música africana, nomeadamente cabo-verdiana. Começou comigo e com o João, decidimos formar um grupo que pudesse tocar funaná", refere Edu Mundo, sobre o início da banda. Aos sábados à noite, a Casa Independente era o local onde interpretavam os clássicos da música tradicional de Cabo Verde, como os Tubarões, os Bulimundo ou os Ferro Gaita. O público esteve presente desde o início dos Fogo Fogo.
"Já tínhamos muitos amigos que acompanhavam as bandas onde tocamos, já tínhamos uma massa boa, considerável, no entanto foi crescendo ao longo dos anos, sete anos, ao ponto de não conseguir entrar toda a gente, terem de ir à vez", informa Edu Mundo, o baterista da banda.
Uma das características dos Fogo Fogo é que o público, mesmo aquele que nada tem a ver com Cabo Verde, canta com a banda em crioulo. Para o guitarrista e vocalista Danilo Lopes o crioulo falado em Cabo Verde tem uma matriz portuguesa.
"Como dizem, é um português mal falado. Portugal tem essa particularidade de ser dos únicos países do mundo, senão o único, em que a população canta em crioulo. Ou seja, tens concertos de ex-colónias em que os próprios portugueses cantam nessa língua, mostra um bocado a ligação que Portugal tem com as ex-colónias. O funaná é só mais uma vertente disso".
A banda lançou um EP com Oh Minina e Nha Cutelo antes de Fladu Fla, o álbum de originais lançado há dois anos.
"O Fladu Fla surge como o resultado de um trabalho conjunto durante os sete anos que estivemos na Casa Independente, a explorar o repertório cancioneiro de Cabo Verde. Que nos permitiu, no fundo, conhecer a linguagem e os instrumentos. Era natural que ao fim de não sei quantos anos a tocar aquelas versões, tivéssemos a vontade de experimentar as nossas próprias composições, dentro dessa estética africana, virada para o funaná, mas não esquecendo também as nossas influências do rock, do psicadelismo, do afrobeat, do reggae. O Fladu Fla surge um bocado da soma de todas essas coisas. Foi a necessidade de nos expressarmos dentro dessa linguagem, criando um repertório próprio", afirma o baixista Francisco Rebelo.
Com Fladu fla andaram pelo país inteiro, e por alguma Europa também. "Há um mês atrás estivemos em Macau, foi o mais longe que já estivemos. Divulgámos o mais que podíamos o nosso disco. Que cresceu e evoluiu ao vivo. A nossa dinâmica interna musical, a nossa ligação também cresceu ao levarmos os nossos temas originais para a estrada. Ao vivo as coisas ganham outra dimensão, principalmente se tocarmos todos os fins de semana. Ao fim de dois ou três meses já estamos a tocar as músicas de outra maneira", diz João Gomes, teclista da banda.
"A nossa relação musical evoluiu muito, este single que lançámos agora, o Nho Buli, mostra isso. A própria facilidade com que hoje em dia compomos e criamos músicas novas, dentro de uma sonoridade que já é mais Fogo Fogo do que funaná, uma linguagem cada vez mais nossa", adianta João Gomes.
O novo tema Nho Buli foi apresentado ao vivo pela primeira vez no B.Leza, no último concerto da banda, em 2023. Um tema que vira a página da história dos Fogo Fogo para 2024, ano em que a banda prepara muitos "rebuçados" para os fãs. Ir a Cabo Verde é sempre um desejo.
"Já fomos a muitos sítios, ainda não fomos a Cabo Verde. É sempre um local onde, obviamente, gostávamos muito de nos apresentar. E acho que há muitos cabo-verdianos que gostavam de nos ver ao vivo", garante João Gomes.
Nho Buli foi gravado com a banda cabo-verdiana Ferro Gaita. "A colaboração com os Ferro Gaita surge de um encontro que tivemos, num aniversário da Casa Independente, foram convidados para tocar connosco, no nosso concerto, e criou-se logo uma empatia e uma ligação muito forte. Era um desejo que tínhamos, porque é também umas das nossas maiores referencias. Quando começámos, o nosso reportório estava muito baseado nos Ferro Gaita. Inclusivamente, um dos pontos altos do nosso concerto, é precisamente uma música dos Ferro Gaita, onde convidamos o pessoal a subir ao palco, cantar e dançar connosco. Aqui foi concluído esse desejo, e acho que está um tema muito forte. Fortíssimo. Espelha muito bem o que foi essa ligação e o que é a relação entre os dois projectos", afirma David Pessoa, também guitarrista e vocalista da banda. Ainda em relação aos Ferro Gaita, Francisco Rebelo acrescenta que aceitaram o convite, e gravaram em Lisboa.
"Foi uma sessão muito divertida. O Danilo escreve em crioulo, é de São Vicente, e eles são de Santiago, há sempre aquelas traduções e adaptações que se têm que fazer. Esse processo é todo muito engraçado. Foi uma sessão muito dinâmica, estivemos dois dias a trabalhar com o Bino e com o Eduíno, e foi muito fixe", remata Francisco Rebelo.
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