page view

A ponte que vai da China para um campo de batatas na Coreia

Obra inacabada é a metáfora do esfriamento das relações entre os dois países.

17 de novembro de 2016 às 18:11

Dandong é do lado chinês, Sinuiju fica na Coreia do Norte. Separa as duas cidades o rio Yalu, e só existe uma velha ponte, do tempo da II Guerra Mundial, por onde passa o comboio que liga Pequim a Pyongyang. Ou melhor, existe uma segunda ponte, uma obra moderna que custou quase 300 milhões de euros. Mas se a via de quatro faixas está pronta a abrir ao trânsito do lado chinês, do outro lado do rio a ponte acaba abruptamente num campo de batatas, com a estrada interrompida a cinco metros do solo.

A ponte deveria ter sido inaugurada em 2014, mas o tempo em que a China e a Coreia do Norte colaboravam militar e economicamente parece hoje uma miragem. A realização de testes nucleares deixou o regime de Kim Jong Un ainda mais isolado e até Pequim, o último dos seus aliados, está mais longe. O adiar da conclusão da ponte é uma consequência directa da tensão entre os dois países.

Em Dandong há oportunidades únicas para 20 mil coreanos - praticamente os únicos cidadãos do país que podem trabalhar no estrangeiro. Mas são controlados rigorosamente  - eles e as suas famílias - para evitar deserções. Do lado chinês, até se realiza anualmente uma prova de natação até à outra margem, fortemente guardada por soldados norte coreanos. Na margem esquerda do rio, ninguém se atreve a mergulhar. Porque as consequências podem ser letais. 

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8