Novo relacionamento começa às 23h00 em Londres e Lisboa (24h00 em Bruxelas), quando cessa oficialmente o período de transição que se seguiu à saída do Reino Unido da UE.
As empresas britânicas vão enfrentar mais burocracia nas fronteiras e o setor financeiro deixa de poder oferecer serviços em toda a União Europeia desde esta quinta-feira, quando entra em vigor o acordo de comércio pós-Brexit entre Reino Unido e UE.
O novo relacionamento começa às 23h00 em Londres e Lisboa (24h00 em Bruxelas), quando cessa oficialmente o período de transição que se seguiu à saída do Reino Unido da UE em 31 de janeiro.
Apesar de o novo Acordo de Comércio e Cooperação ter evitado quotas e taxas aduaneiras nas exportações europeias e britânicas para os mercados um do outro, na realidade as barreiras comerciais vão aumentar porque o Reino Unido passa a estar fora do mercado único e da união aduaneira da UE.
O setor financeiro, que representa 7% do Produto Interno Bruto (PIB), ficou fora do acordo e as instituições britânicas perdem o direito automático de prestar serviços em toda a UE e terão de se estabelecer num dos 27 Estados-membros para continuar a operar no mercado único.
Empresas britânicas vão precisar de apresentar mais documentação e os produtos sujeitos a controlos e potencialmente ser retidos nas fronteiras devido aos novos procedimentos, nomeadamente a necessidade de declarações alfandegárias, verificações das regras de origem, certificados de segurança do produto ou inspeções sanitárias de produtos alimentares.
Os olhos vão estar postos no porto de Dover, onde se espera uma demora na travessia para França, aumentando receios da repetição das filas de camiões registadas na semana passada causadas pelo bloqueio de França devido à pandemia covid-19.
Um estudo do próprio governo britânico prognosticou que, na pior das hipóteses, a região de Kent a caminho do porto de Dover poderá ver retidos até 7.000 camiões, que poderão demorar até dois dias para chegar até ao porto francês de Calais.
O ministro do Gabinete, Michael Gove, admitiu esta semana que o tempo é "muito curto" desde a conclusão das negociações, em 24 de dezembro, e reconheceu que provavelmente vai haver alguns "momentos turbulentos" devido aos novos procedimentos.
"É o caos absoluto", descreveu a despachante aduaneira Karen Strand, da agência, KSI Port Link Ltd, localizada nos arredores de Dover, sobre os preparativos à agência AFP.
Antes, o seu trabalho era principalmente logístico, como o estacionamento dos camiões, a embalagem de produtos e resolver certas formalidades a pequenas e médias empresas da região que exportam maçãs, componentes eletrónicos ou rolos de tecido para o continente europeu.
Agora, lidar com a vizinha Europa vai tornar-se muito mais complicado e algumas diferenças são imediatas, como a obrigatoriedade de pagar um "depósito em trânsito".
Trata-se de uma quantia virtual exigida "assim que um produto britânico chega ao continente europeu" pelo país de trânsito, como garantia em caso de eventuais faturas vencidas ou irregularidades aduaneiras.
O Governo britânico tem vindo a fazer campanhas de informação para as empresas se preparem, mas são públicos os atrasos com sistemas informáticos e outras infraestruturas alfandegárias.
Antecipando eventuais problemas e potenciais impactos no abastecimento de bens essenciais, como comida ou medicamentos, Londres optou por não impor imediatamente todos os controlos e burocracia às importações da UE logo em janeiro, permitindo que as declarações aduaneiras possam ser feitas posteriormente, até 01 de julho.
Esta medida de mitigação não impediu que muitas empresas britânicas tenham optado por se aprovisionar na UE com antecedência, resultando num aumento do movimento de mercadorias nas últimas semanas.
Entretanto, muitas pequenas e médias empresas britânicas não tiveram tempo nem capacidade de digerir as quase 1.300 páginas do Acordo desde a semana passada, queixou-se o diretor executivo da Associação de Comida e Bebida da Irlanda do Norte, Michael Bell, à BBC.
"Algumas empresas vão optar por não lidar com a burocracia e fazer uma decisão comercial que não vale a pena devido ao volume em causa", disse.
O presidente da maior rede de supermercados britânica, Tesco, John Allan, admitiu à BBC que haverá custos adicionais com a burocracia associada à importação e exportação, porém mostrou-se confiante de que o impacto nos preços dos produtos "será muito modesto".
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