Alok Sharma alertou para o risco de o acordo final da cimeira falhar objetivos ambiciosos.
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No penúltimo dia da COP26, o presidente da cimeira do clima, Alok Sharma, afirmou esta quinta-feira estar preocupado com a possibilidade de não ser alcançado um acordo “ambicioso e equilibrado”. Reconheceu os avanços feitos, mas alertou: “Ainda não estamos lá. Há ainda muito trabalho a fazer.”
Para que um texto consensual fosse alcançado, faltava esta quinta-feira avançar muito em “questões críticas”. Entre elas contava-se a condenação aberta dos combustíveis fósseis, algo nunca antes feito numa cimeira COP.
Vários países, entre eles a Arábia Saudita, fizeram pressão para moderar a linguagem das conclusões. Pretendia-se alterar o rascunho divulgado na quarta-feira para remover, ou diluir, as referências ao fim do carvão e dos subsídios aos combustíveis fósseis, abertamente culpabilizados pelo aquecimento global no texto do rascunho.
Mas, quando Sharma falou do trabalho que faltava ainda fazer, tinha sobretudo em mente a questão que mais discórdia causou nos dias finais da cimeira: a de saber quem pagará aos países mais pobres para se adaptarem aos desafios das alterações climáticas e que valores deverão ser pagos.
Sharma reiterou a intenção de conseguir decisões “ambiciosas” no final da COP26, mas para que isso acontecesse, teriam de ser conseguidos “avanços substantivos na questão dos financiamentos”, frisou, admitindo que os desentendimentos são profundos.
Os países em desenvolvimento pretendem que sejam implementadas regras mais duras a partir de 2025, tendo em conta que até agora os países mais ricos não respeitaram o compromisso assumido há 12 anos de dar 100 mil milhões de dólares anuais a partir de 2020 para ajudar a reduzir as emissões poluentes e controlar o aquecimento global. A respeito das ajudas financeiras, o rascunho divulgado na quarta-feira era omisso quanto a valores a pagar.
Acordo EUA-China dá esperança
O anúncio que na quarta-feira causou surpresa geral de um acordo de cooperação entre os EUA e a China, os dois maiores poluidores mundiais, foi recebido com um cauteloso otimismo por políticos e ativistas. “É encorajador ver que esses países que estão em conflito em tantas coisas puderam encontrar-se naquele que é o maior desafio da Humanidade”, afirmou Frans Timmermans, responsável da UE pelo clima. O antigo PM australiano Kevin Rudd reforçou esta ideia, mas frisou que o acordo não será decisivo para travar o aquecimento global, tanto mais que, somente há alguns dias, a China recusou juntar-se ao acordo firmado na COP26 para limitar as emissões de metano. O presidente do Instituto para a Governança e o Desenvolvimento Sustentável, Durwood Zaelke, mostrou-se mais otimista: “Este é um avanço que deveria dar o tom para finalizar de forma ambiciosa esta COP26.” Quanto à Greenpeace, fez notar que o acordo surpresa é vago e de nada valerá até que ambos os países passem das palavras aos atos.
“Preservar a criação de Deus é uma das grandes questões morais do nosso tempo”
O Papa Francisco apelou aos participantes da cimeira do clima de Glasgow para que definam metas ambiciosas e “não desperdicem esta oportunidade, pois o tempo está a esgotar-se”. A pena de um fracasso é falhar “a preservação da criação de Deus”, desse “jardim comum”. Essa preservação é, frisou, “uma das grandes questões morais do nosso tempo.”
A cimeira do clima mais poluidora de sempre
Os milhares de delegados que se deslocaram a Glasgow, boa parte deles em aviões privados, transformaram a COP26 na cimeira do clima da ONU mais poluidora de sempre.
De acordo com um relatório oficial entregue ao governo britânico, a cimeira está a caminho de produzir cerca de 102 500 toneladas de CO2, quase o dobro da cimeira anterior, sendo que cerca de 60% dessas emissões, ou seja, 61 500 toneladas de CO2, provêm de voos internacionais.
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