Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão classificou o reforço das capacidades militares como existencial.
A Alemanha pediu esta segunda-feira aos países europeus, em especial a França, para que adotem medidas de austeridade que permitam cumprir o objetivo da NATO de investir 5% do Produto Interno Bruto (PIB) em defesa.
Numa entrevista à emissora Deutschlandfunk, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, classificou o reforço das capacidades militares como existencial e enviou um aviso direto aos parceiros da União Europeia (UE).
"Este apelo dirige-se a todos os países europeus. Serão necessárias discussões abertas e sinceras. Quem fala de independência face aos Estados Unidos tem de fazer primeiro os trabalhos de casa", afirmou, citado pela agência espanhola EFE.
O chefe da diplomacia alemã rejeitou a emissão de dívida comum para financiar o aumento dos gastos militares, recordando que a meta de 5% aprovada na cimeira da NATO em Haia se refere a "prestações nacionais".
Wadephul visou diretamente o Presidente francês, Emmanuel Macron, que deverá discursar ainda em fevereiro sobre temas estratégicos.
"Quem fala de soberania europeia tem de agir no seu próprio país. Infelizmente, na República Francesa, os esforços têm sido insuficientes", criticou, sugerindo que Paris siga o exemplo de Berlim.
O ministro defendeu que é necessário enfrentar "debates difíceis" e cortar na despesa social e noutros setores para garantir a "capacidade de defesa da Europa".
Relativamente à relação transatlântica, Wadephul elogiou a intervenção do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, na Conferência de Segurança de Munique, no fim de semana.
"Sem o guarda-chuva nuclear dos Estados Unidos não somos capazes de nos defender, é a pura realidade", reconheceu.
O ministro do Governo conservador do chanceler Friedrich Merz considerou que não há alternativas viáveis à reparação da aliança com Washington, apesar das diferenças com a administração de Donald Trump.
Na cimeira de Haia, em junho de 2025, os 32 membros da Aliança Atlântica comprometeram-se com um aumento das despesas com a defesa para 5% do PIB até 2035.
A reunião de líderes da NATO na cidade dos Países Baixos foi a primeira após o regresso de Trump à presidência dos Estados Unidos.
Na declaração de Haia, os aliados justificaram a decisão com as "ameaças profundas à segurança, nomeadamente o perigo a longo prazo colocado pela Rússia e a persistente ameaça do terrorismo".
O compromisso visa garantir a capacidade da NATO para as tarefas que a organização considera fundamentais, nomeadamente, dissuasão e defesa, prevenção e gestão de crises, e segurança cooperativa.
O plano prevê pelo menos 3,5% do PIB para recursos fundamentais de defesa e cumprimento das metas de capacidades da NATO.
Até 1,5% do PIB de cada país será para proteção de infraestruturas críticas, defesa de redes, preparação civil, inovação e fortalecimento da base industrial de defesa.
"A trajetória e o equilíbrio destes gastos serão revistos em 2029, tendo em conta o ambiente estratégico da altura", segundo o comunicado divulgado na altura.
Tendo reafirmado o compromisso de apoiar a Ucrânia, "as contribuições diretas para a defesa e indústria militar ucraniana serão contabilizadas no cálculo global dos gastos de defesa de cada país norte-americano ou europeu da aliança".
A Organização do Tratado do Atlântico Norte, conhecida pela sigla em inglês NATO, foi criada em 1949, no pós-Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e no âmbito do combate ao expansionismo soviético.
Portugal é um dos 12 países fundadores da NATO, que conta atualmente com 32 membros, depois de vários alargamentos, incluindo aos países da antiga União Soviética.
Na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, a Finlândia e a Suécia aderiram à NATO em 2023 e 2024, respetivamente.
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