Nas redes sociais, multiplicaram-se as reações e as mensagens de pesar.
Os humoristas Nuno Markl e César Mourão, o escritor Valter Hugo Mãe e a atriz Maria de Medeiros foram algumas das figuras públicas portuguesas que lamentaram hoje a morte do humorista brasileiro Jô Soares.
Nas redes sociais, multiplicaram-se as reações e as mensagens de pesar pela morte do humorista e escritor Jô Soares, ocorrida esta sexta-feira, em São Paulo, aos 84 anos.
"Cresci com os 'sketches' dele - 'Viva o Gordo' e o 'Planeta dos Homens' a juntarem-se ao 'Flying Circus' [dos Monty Python] e ao 'Tal Canal' [de Herman José] como ingredientes neste caldeirão que me alimentou o sentido de humor", escreveu o humorista e argumentista Nuno Markl, que foi entrevistado por Jô Soares em 2013.
A atriz portuguesa Maria de Medeiros, que entrou numa adaptação cinematográfica do romance "O Xangô de Baker Street", recorda o percurso do humorista, com uma fotografia dele no programa televisivo "Viva o Gordo": "Jô Soares, na minha personagem preferida, com quem sempre me identifiquei: o Brasileiro, morrendo de frio em Paris, esperando a ditadura passar".
Na rede social Instagram, o escritor Valter Hugo Mãe recua ao seu romance autobiográfico "Contra Mim", para dizer que escreveu um capítulo sobre Jô Soares.
"Não porque era um artista a dar na TV, mas sobretudo porque se tornou em alguém da nossa própria família. É uma tristeza profunda que não o possamos voltar a ver e a ouvir", lamentou o autor.
As cantoras Mariza e Carminho e o humorista César Mourão, que também passaram pelo programa televisivo de Jô Soares, juntaram-se aos que recordaram o artista brasileiro.
O humorista e ator brasileiro Gregório Duvivier, conhecido em Portugal no coletivo Porta dos Fundos, escreveu no Instagram que é dia de celebrar Jô Soares, porque "está em toda a parte".
"Inventou expressões que a gente usa até hoje, revelou gerações de comediantes, fez o brasileiro mais feliz -- objetivo primeiro e último da nossa profissão", disse.
O humorista e escritor brasileiro Jô Soares morreu no hospital Sírio Libanês, em São Paulo.
Estreou-se no cinema e na televisão no final dos anos de 1950, como argumentista e ator, nomeadamente no Grande Teatro da TV-Tupi, atingindo sucesso maior cerca de dez anos depois quando chegou à TV Globo com o programa "Faça Humor Não Faça Guerra", que escrevia e protagonizava.
Portugal descobriu o autor de "O Xangô de Baker Street" em 1981, quando a RTP passou a transmitir o seu programa de humor "Viva o Gordo", sequência de 'sketches' de humor, em plena ditadura militar brasileira (1964-1985), no qual ironizava "a política e os costumes", como recorda a Globo, na sua página de arquivo.
Ainda nos anos de 1980, Jô Soares optou por um modelo de 'talk show' mais próximo do norte-americano, intercalando convidados, entrevistas, 'sketches' e música. Surgiu assim "Jô Soares Onze e Meia", ainda na SBT, que deu origem, mais tarde, a "O Programa do Jô", de novo na Globo, exibido em Portugal através do canal por cabo GNT.
Como escritor de ficção, assinou títulos como "O Xangô de Baker Street", "O Homem Que Matou Getúlio Vargas" e "Assassinatos na Academia Brasileira de Letras", obras editadas em Portugal pela Presença.
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