Três membros do governo do primeiro-ministro Mari Alkatiri apresentaram ontem a demissão horas depois de o Comité Central da Fretilin (CCF) ter decidido manter o seu apoio ao líder do executivo. O ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, José Ramos-Horta, foi o primeiro a anunciar a demissão, gesto seguido pouco depois pelo responsável da pasta dos Transportes, Ovídeo Amaral, e pelo vice-ministro da Saúde, Luís Lobato.
Ramos-Horta manteve-se incontactável durante todo o dia, escusando-se assim a explicações do gesto, mas Ovídeo Amaral disse frontalmente que se afastava por não concordar “com o facto de a Fretilin não ter aceite a demissão de Alkatiri”.
“Já morreram pessoas, há milhares de timorenses deslocados em campos de acolhimento e isto não pode continuar”, afirmou o ministro, salientando que “a única decisão acertada” teria sido o partido aceitar a resignação do primeiro-ministro.
Alkatiri pôs, de facto, o seu cargo à disposição, mas o CCF defende que “deve ser construída uma solução com base no diálogo e no consenso nacional”, pelo que não é oportuno “tirar peças do jogo”, como frisou Estanislau da Silva, membro do órgão dirigente da Fretilin.
Na resolução aprovada no final da reunião extraordinária do CCF, a Fretilin defende que a crise só poderá resolver-se mantendo Alkatiri e Xanana nos respectivos cargos, e conseguindo “o envolvimento de instituições e mediadores internacionais credíveis”. O partido do primeiro-ministro exige ainda às entidades competentes que actuem para “garantir a detenção e rápido julgamento dos cidadãos indiciados por crimes cometidos durante o período de 28 de Abril a 25 de Junho”, durante o qual grupos armados semearam o caos em Díli, e manifesta intenção de “acompanhar de perto as investigações sobre a distribuição ilegal de armas e verificar a alegada responsabilidade e envolvimento de quadros militares da Fretilin”.
O presidente Xanana Gusmão não respondeu directamente à decisão do partido do governo, mas fez saber, por intermédio de Agio Pereira, chefe de gabinete da Presidência, que a resposta “está na mensagem que o presidente dirigiu ao país na quinta-feira”. Nessa mensagem, recorde-se, Xanana afirmou que no caso de Alkatiri não assumir responsabilidade pela crise, demitindo-se, ele mesmo abdicaria da presidência.
OPOSIÇÃO ALERTA
A oposição não gostou da decisão da Fretilin e prometeu alimentar a onda de manifestações que desde sexta-feira exigem a demissão do líder do governo. Fernando Araújo, líder do Partido Democrático (PD), maior força da oposição, fez ainda saber que espera de Xanana a solução da crise. “É um homem de palavra e respeitará o desejo do povo”, afirmou, salientando ainda: “Não espero, nem admito, que Xanana Gusmão resigne ao cargo.”
CRUZEIRO NO 'QUEEN MARY II'
O ex-presidente indonésio, que ontem completou 70 anos, aproveitou um cruzeiro, a bordo do ‘Queen Mary II’, para visitar, pela primeira vez, Portugal. Solicitou um encontro com o Presidente da República, Cavaco Silva, que foi aceite. Recebido na Sala Dourada do Palácio de Belém, pelo Chefe de Estado português e Maria Cavaco Silva, Bacharuddin Habibie e a mulher almoçaram na residência oficial do Presidente. Antes, Habibie recordou a influência linguística portuguesa na Indonésia.
“Temos 2 mil palavras portuguesas”, sublinhou. Creme de coentros, cherne ao sal e papão de anjos foram os pratos escolhidos para o repasto.
HABIBIE APELA À NEGOCIAÇÃO
O ex-presidente indonésio Bacharuddin Jusuf Habibie espera que a crise política em Timor-Leste se resolva pelas vias democráticas. Um desejo expresso ontem antes de um almoço com o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, em Belém.
O encontro teve como cenário a crise em Timor-Leste e terá sido aproveitado para uma troca de impressões entre Cavaco Silva e Bacharuddin Jusuf Habibie. O ex-presidente indonésio esteve apenas algumas horas em Lisboa, mas sugeriu que as autoridades timorenses se “sentem à mesma mesa e tentem negociar com base na Constituição”. Para esgotar as possibilidades de negociação, Habibie acrescentou que “se entenderem [os timorenses] que esta não é perfeita [a Lei Fundamental timorense], existem formas de a alterar.”
“Não se matem uns aos outros”, pediu o antigo responsável indonésio, que tomou a decisão, em 1999, de aceitar a realização de um referendo em Timor-Leste. “Os timorenses tomaram as suas decisões e escolheram ser independentes com base nos valores da Democracia”, recordou o ex-presidente da Indonésia. Por isso, tem de se “honrar essa escolha [do processo democrático]”, alertou o ex-chefe de Estado indonésio.
APOIO PORTUGUÊS
O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros de Portugal, João Gomes Cravinho, chegou ontem a Díli para uma visita de trabalho de quatro dias durante a qual manterá contactos com líderes timorenses para “oferecer apoio e solidariedade do governo português”.
GNR FAZ SEGURANÇA
O contingente da GNR em Timor-Leste foi responsável ontem pela segurança da reunião do Comité Central da Fretilin, um dia depois de ter já garantido que as manifestações junto à sede daquele organismo se mantinham ordeiras e pacíficas.
CPLP MANTÉM CIMEIRA
O secretário-executivo da CPLP, Luís Fonseca, garantiu ontem em Bissau, após reunião com o presidente guineense, Nino Vieira, que a crise em Timor-Leste não inviabilizará a realização da cimeira da organização, agendada para 17 de Julho.
BRASIL ENVIA MISSÃO
O Brasil defende uma presença militar da ONU em Timor para garantir “a estabilidade política e social”, afirmou o embaixador Pedro Motta, líder de uma missão brasileira que esta semana parte para Díli.
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