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Amnistia Internacional elogia medidas de Londres contra Israel mas duvida da eficácia

Reino Unido anunciou, esta terça-feira, a suspensão formal das negociações com Israel para um novo acordo comercial bilateral.

20 de maio de 2025 às 22:23

A Amnistia Internacional (AI) elogiou, esta terça-feira, a decisão do Reino Unido de suspender as negociações comerciais com Israel e impor sanções aos colonos na Cisjordânia, mas alertou que não vão alterar a atual abordagem do Governo de Benjamin Netanyahu.

"Uma linguagem mais dura e algumas novas medidas anunciadas hoje são bem-vindas, embora já devessem ter sido anunciadas há muito tempo, mas a resposta do Governo do Reino Unido é ainda inadequada para forçar Israel a mudar de rumo", frisou Sacha Deshmukh, diretor executivo da Amnistia Internacional do Reino Unido.

As declarações surgem depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, David Lammy, ter anunciado a suspensão formal das negociações com Israel para um novo acordo comercial bilateral e ter chamado de volta a sua embaixadora em Londres, Tzipi Hotovely, em protesto contra a crescente ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza.

O Reino Unido confirmou ainda um pacote de sanções contra organizações, colonatos ilegais e três indivíduos que, de acordo com a diplomacia britânica, "apoiaram, incitaram e promoveram a violência" praticada pelos colonos israelitas contra as comunidades palestinianas na Cisjordânia.

"Suspender as negociações comerciais, que Israel alega não estarem a progredir de qualquer forma, infelizmente não pressionará Israel a mudar as suas ações ilegais. Da mesma forma, sancionar alguns colonos, em vez de proibir todos os ativos dos colonatos, pouco fará para mudar a abordagem de Israel", acrescentou Deshmukh.

De acordo com o responsável da AI, o Reino Unido deve interromper imediatamente as transferências de armas para Israel, incluindo componentes para os caças F-35 usados em Gaza, e proibir investimentos em empresas e bancos "que mantêm a ocupação ilegal e o sistema de apartheid", bem como importações de colonatos ilegais.

"Para inúmeros palestinianos, este pode ser o último suspiro de liberdade. É tempo de o governo do Reino Unido utilizar todos os recursos políticos, judiciais e diplomáticos ao seu dispor para ajudar a pôr fim ao genocídio, ao apartheid e à ocupação do governo israelita", concluiu Deshmukh.

Após uma ofensiva de 20 meses contra Gaza, França, Reino Unido e Canadá ameaçaram na segunda-feira tomar "medidas concretas" contra Israel se o Governo de Netanyahu não cessar as suas "ações ultrajantes" na Faixa ou permitir a entrada de ajuda humanitária.

Israel acusou, esta terça-feira, o Reino Unido de uma "obsessão anti-israelita", em reação às medidas tomadas por Londres.

"As pressões externas não desviarão Israel do seu caminho, que é o de defender a sua existência e segurança contra os inimigos que procuram destruí-lo", declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita, em comunicado.

Israel também criticou as sanções anunciadas pelo Governo britânico contra os colonos israelitas que vivem em colonatos, classificados como ilegais pela comunidade internacional, na Cisjordânia ocupada.

"O mandato britânico terminou há 77 anos", afirmou o porta-voz do ministério, Oren Marmorstein, referindo-se à administração britânica da Palestina a que se seguiu a criação do Estado de Israel.

Israel lançou uma nova fase da sua ofensiva no final da semana passada, com o objetivo de ocupar totalmente o enclave. O início da operação foi precedido de uma escalada de bombardeamentos que, desde o fim de semana, tem matado cerca de 100 pessoas por dia.

Além disso, Israel bloqueou completamente o acesso de ajuda essencial (como alimentos e medicamentos) a Gaza desde 02 de março, agravando a já terrível crise humanitária.

Segundo a ONU, o primeiro lote de cinco camiões carregados de ajuda entrou na segunda-feira. Antes da guerra, eram cerca de 500 por dia, o que as organizações humanitárias já descreviam como insuficiente para responder às necessidades no terreno.

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