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Amnistia Internacional Portugal assinala julgamento do assassinato de Marielle Franco

Julgamento pelo assassinato da ativista e deputada começou na terça-feira.

25 de fevereiro de 2026 às 10:29

A Amnistia Internacional Portugal promoveu esta quarta-feira, junto à embaixada do Brasil, em Lisboa, uma ação simbólica para assinalar o início do julgamento do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, ativista pelos direitos humanos.

"Os ativistas dos direitos humanos vivem, experimentam todos os dias no Brasil ameaças e perseguições. O sistema judiciário brasileiro tem falhado em dar respostas rápidas, eficazes e que respeitem as vítimas e os familiares nestes ataques a defensores dos direitos humanos e para nós isto é muito relevante porque muitos destes casos não chegam sequer a esta fase de julgamento", disse à Lusa o porta-voz da Amnistia Internacional Portugal, Miguel Marujo.

Marielle Franco era membro do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), tinha 38 anos, era negra, lésbica, nascida numa favela e toda a sua atividade política era dedicada à defesa dos direitos humanos e à luta contra os grupos criminosos que controlam as favelas do Rio de Janeiro.

Em maio do ano passado, a Procuradoria-Geral da República do Brasil pediu a condenação dos supostos mandantes do assassínio de Marielle Franco, em 2018, defendendo que "há provas" que confirmam a hipótese da acusação contra o ex-deputado federal João 'Chiquinho' Brazão e o seu irmão Domingos Brazão, funcionário do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro.

Via telefone, depois do grupo ter colado cartazes com a frase "Defender os direitos humanos, não pode custar vidas" e balões amarelos junto à embaixada do Brasil em Lisboa, Miguel Marujo disse à agência Lusa que a ação simbólica inclui também recordar Anderson Gomes, motorista de Marielle Franco, e a ativista Maria Bernadete Pacífico, conhecida como Mãe Bernadete.

"Quase oito anos depois da morte dos dois [Anderson Gomes e Marielle Franco] assassinados quando estavam na sua ação normal, lembramos também um outro julgamento de uma outra ativista de defesa dos direitos humanos, Maria Bernadette Pacífico, cujo assassínio também começou ontem [terça-feira] o julgamento no Tribunal de Justiça da Baia. A nossa ação em frente à embaixada do Brasil quis, de facto, sinalizar estes dois julgamentos por aquilo que representam, porque trata-se de uma pequena fração de um quadro muito mais amplo de violência", referiu.

Apontando que "há muitos casos que ficam pelo caminho" e salientando que "há dados que mostram que o Brasil tem um sério problema a lidar com este tipo de situações", Miguel Marujo.

Segundo o porta-voz, citando organizações internacionais, entre 2012 e 2021 e morreram, no Brasil, 234 defensores ativistas da terra e do meio ambiente.

"O Brasil foi mesmo o país do planeta com mais mortos de defensores ativistas pelos direitos humanos e pelo ambiente, e estamos a falar de uma realidade que é muito mais generalizada", referiu.

O Ministério Público brasileiro pediu na terça-feira, no início do julgamento, a condenação dos cinco acusados de mandarem matar a ex-vereadora Marielle Franco.

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