Em causa está o baleamento mortal de Narciso Sambo apontado pelas autoridades policiais nacionais como um suspeito procurado por alegado envolvimento em homicídios, violência sexual, roubos à mão armada e raptos.
A Amnistia Internacional apelou esta terça-feira às autoridades moçambicanas para conduzirem uma investigação imediata e imparcial à alegada "execução sumária" de Narciso Sambo, suspeito procurado pela justiça, abatido por um agente policial durante uma operação de captura.
Em causa está o baleamento mortal de Narciso Sambo - conhecido por "Macovo" -, apontado pelas autoridades policiais nacionais como um suspeito procurado por alegado envolvimento em homicídios, violência sexual, roubos à mão armada e raptos, durante uma operação policial realizada no sábado, na província de Maputo, sul do país.
Num comunicado, a organização de defesa dos direitos humanos classificou o incidente como uma possível "execução sumária", após ter analisado imagens de vídeo amplamente divulgadas nas redes sociais e cuja ocorrência foi posteriormente confirmada pela Polícia da República de Moçambique (PRM).
Imagens divulgadas mostram Narciso Sambo cercado e contido por vários agentes policiais no interior de um estabelecimento comercial, antes de um agente à paisana efetuar vários disparos à curta distância contra o suspeito, que cai inanimado no local.
Segundo a Amnistia Internacional, a atuação constitui uma "flagrante violação do direito à vida", protegido pela Constituição moçambicana e por convenções internacionais ratificadas pelo país.
"O anúncio de uma investigação pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) é um passo na direção certa rumo à responsabilização e justiça", declarou o diretor regional da Amnistia Internacional para a África Oriental e Austral, Tigere Chagutah, citado no comunicado.
A organização defende que as conclusões da investigação sejam tornadas públicas e que os agentes envolvidos sejam afastados de funções operacionais enquanto decorrem os inquéritos.
A Polícia da República de Moçambique confirmou no domingo a morte de Sambo durante a operação e anunciou a abertura de averiguações para apurar eventuais excessos por parte dos agentes envolvidos. O Comando-Geral da corporação admitiu existirem indícios de possível uso desproporcionado da força.
O Sernic avançou, entretanto, ter instaurado um processo-crime para apurar as circunstâncias da morte de "Macovo", assegurando que serão determinadas eventuais responsabilidades criminais decorrentes da atuação policial.
No comunicado divulgado, a Amnistia Internacional sublinhou que o caso não é isolado e instou as autoridades moçambicanas a investigarem alegações anteriores de uso excessivo da força, incluindo homicídios, tortura, detenções arbitrárias e outras violações atribuídas a agentes do Estado.
A organização recordou igualmente denúncias de violência durante os protestos pós-eleitorais de 2024 e 2025, período em que várias organizações nacionais e internacionais reportaram numerosas vítimas mortais e milhares de feridos.
Também a Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) pediu, na segunda-feira, uma investigação célere e imparcial ao caso, manifestando preocupação com as circunstâncias da intervenção policial e exigindo o apuramento de responsabilidades.
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