Capacidade de geração elétrica em Angola duplicou.
O consumo de gasóleo para as centrais elétricas de Angola decresceu quase 60%, nos últimos oito anos, de 1,36 mil milhões de litros, em 2015, para 568 milhões de litros, em 2023, divulgou esta terça-feira fonte governamental do setor.
O dado foi divulgado pelo engenheiro sénior do Ministério da Energia e Águas João Fernandes, quando procedia à abertura da conferência sobre "Energias Renováveis em Angola, Enquadramento e Desafios", organizada pelo Standard Bank e pela PLMJ Colab Angola -- RVA Advogados.
Segundo João Fernandes, as energias renováveis vão permitir a poupança de milhões de metros cúbicos de combustível, todos os anos, reduzir os elevadíssimos custos de operação e manutenção, com as centrais térmicas, e, sobretudo, alavancar o acesso a milhões de angolanos e empresas, localizados nas áreas a abranger.
O responsável sublinhou que, em 2015, a capacidade de geração elétrica em Angola rondava os 2.356,4 Megawatts (MW), dos quais 39% hidroelétricas e 61% por geradores térmicos a gasóleo.
"Volvidos oito anos, a capacidade de geração aumentou 2,5 vezes mais e esta terça-feira a capacidade de geração é de 6,320.43 MW, tendo os 39% de geração hídrica catapultado para cerca de 60%, a geração térmica declinado de 61%, em 2015, para cerca de 36%, em 2023, e foram introduzidos cerca de 4% de geração solar fotovoltaica, com a entrada em operação, na província de Benguela, das centrais do Biópio e Baia Farta, com 188,8 MW e 96,7 MW, respetivamente, correspondendo a um total de 285,5 MW de capacidade instalada", avançou.
Em declarações à imprensa, o administrador executivo do Standard Bank Angola, Ricardo Ferreira, disse que o encontro serviu para abordar como obter financiamentos para fomentar este ecossistema, "que pode ser claramente o motor de crescimento económico de Angola".
Ricardo Ferreira destacou que Angola é já considerada com potencial para exportação de energia para a África Austral, através de linhas de transmissão para países com défice de energia, tendo vindo a realizar investimentos nesse sentido nos últimos anos.
O administrador executivo do Standard Bank Angola realçou que este banco "é parte relevante daquilo que é o financiamento ao setor em Angola", e que o seu foco é alinhar a sua estratégia com o Plano de Desenvolvimento Nacional do executivo angolano.
O responsável vincou que o Estado lidera a implementação dos grandes projetos do setor e os bancos sozinhos ou em sindicato realizam os empréstimos ao Estado angolano, mas "o que se quer é que exista uma fomentação do setor privado, com parcerias público-privadas".
"Para isso tem que se atrair investidores não só internacionais, com quem temos tido várias reuniões e para o qual é preciso a criação de algumas garantias, porque o capital vem para onde é bem-vindo, mas para ser bem-vindo tem que se deixar sair, tem que se garantir que entra e sai e essa regulamentação e conforto por parte do Governo tem que ser criada para atrair os investidores internacionais", referiu.
O Standard Bank, acrescentou Ricardo Ferreira, tem uma lista de projetos em análise, que excede os dois mil milhões de dólares (1,9 mil milhões de euros), pelo que "há capacidade limitada para se fazer tudo o que é a ambição do país", indicando a sua participação na construção de uma barragem com um empréstimo ao Estado acima dos 100 milhões de dólares (95 milhões de euros).
Por sua vez, Renata Valenti, sócia da PLMJ Colab Angola -- RVA Advogados, uma sociedade de advogados baseada em Portugal, observou que o acesso à energia ainda não é universal, sobretudo nas zonas rurais, havendo a necessidade de expansão da eletrificação.
Para Renata Valenti, o Estado não pode ser o único financiador destes projetos se Angola pretende alcançar as metas que traçou para os próximos anos, que coincidem também com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.
Renata Valenti frisou que o escritório está envolvido em alguns projetos, mas o principal interesse tem a ver com o processo regulatório, havendo necessidade do quadro legal acompanhar as necessidades dos investidores.
"Infelizmente, nós os juristas parece que andamos atrás do mercado. O mercado tem necessidades, os projetos já estão a acontecer e é preciso sermos mais rápidos na criação de um quadro legal que facilita a intervenção do setor privado. Ainda não está desenhado totalmente assim, mas a discussão tem sido muita e a abertura do Estado é grande", disse a advogada, salientando que as principais dificuldades prendem-se com as garantias, flutuações cambiais e liberalização do mercado de transporte de eletricidade.
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