Figura como diretora de uma empresa constituída há 30 anos.
A antiga presidente da Assembleia Legislativa de Macau Susana Chou figura como diretora de uma empresa, constituída há 30 anos, mencionada no caso dos chamados "Papéis do Panamá", que expôs um sistema de evasão fiscal.
Segundo uma base de dados do jornal Sunday Times, que compilou uma lista de empresas no Panamá montadas pela Mossack Fonseca e os seus associados a partir dos "Papéis do Panamá" e de acordo com o registo de empresas naquele país, Susana Chou aparece como diretora da "Katanic Investment S.A.", uma sociedade anónima, com sede no Panamá, criada em dezembro de 1985.
Contactada pela Lusa, a antiga presidente da Assembleia Legislativa de Macau afirmou, citada pela sua porta-voz, que a Katanic Investment S.A., criada no Panamá, é "uma subsidiária como outras que a Novel Secretaries Limited tem em várias partes do mundo".
"É uma empresa legal", frisou.
A Katanic Investment S.A. tem na sua estrutura o diretor e o secretário da Novel Secretaries Limited, empresa criada em 1979 e com sede em Hong Kong, Ma Mang Yin como diretor e tesoureiro, e Ronald Chao Kee Young também como diretor.
A Novel Secretaries Limited é uma subsidiária do grupo Novel, dedicado ao setor têxtil, da família de Susana Chou. Natural de Xangai, Susana Chou, 74 anos, foi a primeira presidente da Assembleia Legislativa da era da Região Administrativa Especial, iniciada a 20 de dezembro de 1999, um cargo que desempenhou ao longo de uma década.
Radicada em Macau há mais de 40 anos, é ainda representante dos membros de Macau no Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) - o principal órgão consultivo da China.
O escândalo dos "Papéis do Panamá" revelou um vasto sistema de evasão fiscal que tem tido repercussões em todo o mundo e levou à abertura de uma série de investigações.
A maior investigação jornalística da história, divulgada no início de abril, envolve o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla inglesa), com sede em Washington, e destaca os nomes de 140 políticos de todo o mundo, entre eles 12 antigos e atuais líderes mundiais.
A investigação resulta de uma fuga de informação e juntou cerca de 11,5 milhões de documentos ligados a quase quatro décadas de atividade da empresa panamiana Mossack Fonseca, especializada na gestão de capitais e de património, com informações sobre mais de 214 mil empresas 'offshore' em mais de 200 países e territórios.
A partir dos "Papéis do Panamá" (Panama Papers, em inglês), a investigação refere que milhares de empresas foram criadas em 'offshores' e paraísos fiscais para centenas de pessoas administrarem o seu património, entre eles o rei da Arábia Saudita, elementos próximos do Presidente russo Vladimir Putin, o presidente da UEFA, Michel Platini, e a irmã do rei Juan Carlos e tia do rei Felipe VI de Espanha, Pilar de Borbón.
Na próxima segunda-feira, dia 9, o ICIJ vai divulgar a "maior quantidade informação de sempre" sobre empresas e os seus proprietários em 'offshore' no âmbito dos "Papéis do Panamá".
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