Moro não respondeu mantendo a postura de aguardar o fim dos seis meses a que é obrigado por ter ocupado um cargo no governo.
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O Partido Social Liberal (PSL), pelo qual Jair Bolsonaro se elegeu presidente em 2018, mas do qual saiu ano passado após tentativas frustadas dele e dos filhos de assumirem o comando, convidou o ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, a filiar-se à entidade. O PSL, hoje dividido entre apoiadores e opositores a Bolsonaro, quer que Sérgio Moro seja o seu candidato às presidenciais de 2022, provavelmente contra o próprio chefe de Estado, que já deixou claro pretender a reeleição.
O convite foi feito por um emissário da direção do PSL, Marcos Cintra, antigo secretário da Receita Federal, o fisco brasileiro, demitido no início do governo de Jair Bolsonaro. Ele fez o convite a Moro em nome do presidente do PSL, Luciano Bivar, que em 2018 aceitou mudar todo o partido e criou a estrutura que levou à eleição de Bolsonaro mas hoje é considerado inimigo pelo presidente.
Sérgio Moro não aceitou nem recusou, mantendo a postura de aguardar o fim da quarentena de seis meses a que é obrigado por ter ocupado um cargo no governo, que só termina em outubro, para decidir o que fazer da sua vida. Nomeadamente, se entra no campo da política de vez, possivelmente filiando-se a um partido, seja ou não o PSL.
Por enquanto, Moro, que durante a quarentena continua a receber o seu ordenado de ministro por estar impedido por lei de aceitar qualquer função remunerada, prefere não se comprometer com nada nem com ninguém e nem avançar que projectos tem para o futuro. Entre outros motivos, além dos limites da quarentena, para se poupar de eventuais ataques.
Praticamente confinado no seu apartamento de dois andares na cidade de Curitiba, sul do Brasil, onde durante anos comandou a operação anti-corrupção Lava Jato que levou à prisão de famosos como o ex-presidente Lula da Silva, Sérgio Moro tem-se dedicado a fazer lives, responder aos pedidos de entrevista de órgãos da imprensa do Brasil e de outros países, e a receber presencialmente algumas poucas pessoas. Entre elas representantes de movimentos civis contra a corrupção e que apoiam uma eventual candidatura dele à presidência em 2022, mas com os quais, tal como com todos os demais, o ex-juiz evita comprometer-se.
Moro saiu do governo Bolsonaro em Abril passado acusando o presidente da República de tentativa de ingerência na sua pasta, nomeadamente ter tentado (e conseguido depois) mudar o comando da Polícia Federal para proteger os filhos de investigações. Apesar de Moro nunca ter dito ser candidato, todas as sondagens sobre as presidenciais de 2022 incluem o seu nome nas projecções, por enquanto sem muito sucesso, pois apesar de todas as crises e polémicas que provocou, Jair Bolsonaro, segundo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas de sexta-feira, se as eleições fossem hoje, venceria qualquer adversário, incluindo Moro e Lula.
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