Apoiantes desmontam acampamento junto à prisão de Lula após sete meses

Responsáveis justificaram o fim do protesto com o elevado custo de manutenção e o altíssimo risco de vida para os participantes.

Apoiantes do ex-presidente brasileiro Lula da Silva que desde Abril estavam acampados a cerca de 800 metros da prisão em Curitiba, sul do Brasil, onde ele cumpre pena de 12 anos e um mês por corrupção, desmontaram o acampamento onde viveram os últimos sete meses e de onde todos os dias desencadeavam ações de incentivo ao antigo governante e de sensibilização da população para o que consideram a injustiça da sua condenação. O acampamento, alvo de diversos ataques e de várias ações judiciais, chegou a reunir milhares de pessoas, inclusive de outros países, mas nos últimos tempos ficou bastante reduzido.

O acampamento, que inicialmente foi montado junto à sede da Polícia Federal, onde Lula está preso, mas foi forçado por decisão judicial a ir para mais longe, começou no dia 7 de Abril, quando Lula se entregou à polícia em São Bernardo do Campo, cidade vizinha a São Paulo, depois de ter ficado três dias entrincheirado no Sindicato dos Metalúrgicos cercado por milhares de militantes. Em comunicado, os responsáveis pelo acampamento justificaram o fim do protesto com o elevado custo de manutenção e o altíssimo risco de vida aos participantes, pois o local foi diversas vezes atacado, inclusivamente à bala, e num desses ataques duas pessoas ficaram feridas.

Após a eleição do radical de direita Jair Bolsonaro para presidente do Brasil em Outubro, as hostilidades aumentaram e ficou cada vez mais perigoso continuar nas tendas improvisadas no terreno, já que o número de apoiantes ficou bastante reduzido e a capacidade de defesa também, e o protesto nunca contou com a proteção ou apoio da polícia. Além do mais, com a profunda crise financeira que o país atravessa, as entidades que patrocinavam os custos do acampamento, como alimentação e o aluguer do terreno, reduziram ou cortaram mesmo a ajuda, inviabilizando a continuação do ato permanente pró-Lula.

Enquanto o acampamento funcionou, foram realizadas inúmeras ações de protesto contra a prisão de Lula e, diáriamente, militantes iam até mais perto do edifício onde o antigo presidente está preso e gritavam, para ele ouvir da cela, "Bom dia, presidente Lula" ou "Boa noite, presidente Lula", para o encorajar e ele não se sentir sozinho. Os moradores da região instauraram várias ações na justiça alegando que o acampamento era um transtorno para as suas vidas e o seu sossego, e juízes decretaram elevadas multas contra os promotores da manifestação.

Apesar de o acampamento, que chegou a receber nomes famosos do cinema, da economia, da literatura e da política de vários países, ter sido desmontado, Lula não ficou sozinho. Bem mais perto da sede da Polícia Federal, uma outra manifestação permanente, a "Vigília Lula Livre", continua praticamente em frente à cela do antigo chefe de Estado, mas com um número bem menor de participantes do que o acampamento chegou a ter, e alojados em espaços alugados, tendo tido os participantes determinados pela justiça os dias e os horários em que se podem manifestar.

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