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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

APRENDER SEXO TÂNTRICO

Tudo se resume ao “movimento dos ponteiros de um relógio”. Giram, tacteiam e “a mulher converte-se de imediato num rio de prazer”, diz o professor. Doze horas, doze posições, doze chaves “ao sabor sexual mais ardente” (’concentre-se no texto, por favor’).

24 de julho de 2004 às 00:00

“Masturbação? Em absoluto: estimulação”, diz o naturopata Miguel Catalán, autodenominado “maestro tântrico”. Os alunos observam a sua mão a perder-se entre as coxas. “Alguns até tiram apontamentos”, conta depois o professor. As pequenas mãos percorrem a anatomia de Lucía.

É Verão e faz calor? Opção um: as aulas magistrais que oferecem Paul Preston, Juan Luis Arsuaga e muitos mais em universidades de Verão. Opção dois: explorar cada recanto do seu mais secreto mapa exógeno, libertar-se, tornar-se “multiorgásmico”. Descubra os peculiares mecanismos que fazem com que uma mulher chegue a ter “mais de 30 clímaxes sexuais apenas numa hora”. Saiba que nós, os ocidentais “perdemos os cinco tipos de orgasmo que os orientais conhecem”. Abra os olhos até “ao interior de uma mulher, que é como um carro, e que o ajuste de peças pode fazer com que duplique a velocidade”. O local, a produtora ‘porno’ Canal X, em Madrid. E saiba antes que as aulas são “acima de tudo práticas”. Decerto que, neste navio secreto de ‘Las Rozas’ tudo acontece ‘em nome de Eva’. Não é o título de nenhum filme pornográfico, senão a técnica inventada e aplicada (verbalmente) por Catalán. “Quantas mulheres acreditam que desfrutam do sexo e na verdade estão a perder tempo”, exclama. Catalán assegura que “em seis ou oito horas” pode converter uma mulher que não tenha orgasmos numa “locomotiva”. E tudo isto “só com as mãos”.

O leitor poderia ‘nadar’ nas metáforas com que Catalán descreve os progressos ejaculatórios dos seguidores da sua doutrina. “Durante meses, a mulher não quer outra coisa...e muito menos a sua parceira, de tanto que irá desfrutar”, afirma. De forma que Catalán põe o seu conhecimento tântrico ao serviço da sexualidade feminina: “não se pode dizer que, por fazê-lo bem, a mulher seja uma prostituta”, diz com seriedade.

O SEMINARISTA

O ‘cérebro’ que permanece na sombra de tudo isto – acreditem – queria ser sacerdote. Sem brincadeiras. Antonio Marcos, assim se chama, saiu do seminário com 18 anos, foi pioneiro na importação do ‘porno’ para Espanha e hoje possui todo o império NTC (Novas Técnicas de Comunicação). “Organizei uns cursos para actores ‘porno’ no ano passado e a adesão foi incrível”, afirma esboçando um sorriso malicioso. Devido ao grande interesse, o seguinte era a sexologia: “muita gente vinha apenas para melhorar a sua vida sexual; queriam aprender técnicas”, adianta.

Com azeite quente sobre o corpo feminino, Catalán inicia o seu método; os alunos não perdem pitada. Múltiplas – e pouco descritíveis – manobras depois, Catalán desfruta de vários orgasmos ‘a seco’ e de uma ejaculação completa, depois de estimular cada recanto do corpo da rapariga. “O mais incrível é que, quando se desperta toda a potência sexual de uma mulher, basta apenas uma penetração para lhe provocar um multiorgasmo”, promete Catalán: “por vezes bastam umas carícias”.

E o sujeito desta história? Que opinião terá Lucía, a ‘modelo’? “É certo que desde que experimentei, sinto o triplo”, afirma. As aulas são interactivas cem por cento: “Depois da teoria, o aluno deve colocar a sua mão sobre a minha, entrar no jogo e seguir os meus movimentos. É aí que está o truque”. Mas também se joga de outra forma: “Quando chega um casal e lhes explico em que consiste, ela diz sempre ao parceiro: “primeiro aprendo eu e depois tu”. Tudo, para que a mulher “ejacule como deve ser”. E isto sem entrar em outras habilidades do naturopata, como “técnicas de bomba” para que os actores de ‘porno’se saibam controlar.

Catalán assegura que nem a idade nem a classe social conhecem limites. O ‘guru’ tântrico gosta de contar o caso de uma mulher de 60 anos e do seu parceiro: “puseram-no em prática e ela disse-me: onde estive eu todo este tempo?”.

‘Em nome de Eva’ exige inicialmente desgastes circenses aos seus praticantes – “é um pouco cansativo, são muitas contracções” – mas depois traz “benefícios”, assegura. “Há um momento em que encontras dentro dela um vazio, onde tudo o que tocas é um prazer. Uma caixa de pandora que...”, prossegue Catalán. E o rio de metáforas ‘náuticas’ volta, de novo, a transbordar.

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