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Assalto a quartel faz sete mortos

Um assalto a uma base de tropas especiais da Força Aérea próxima de Bissau causou ontem pelo menos sete mortos. Segundo fontes diplomáticas na Guiné-Bissau, tratou-se de "um contragolpe de Estado falhado", possivelmente realizado por apoiantes do antigo primeiro- -ministro Carlos Gomes Júnior, exilado em Portugal desde que foi deposto, em Abril, por um golpe orquestrado pelo general António Indjai.
22 de Outubro de 2012 às 01:00
Após ataque à base militar, a segurança foi reforçada no edifício do Estado-Maior, em Bissau
Após ataque à base militar, a segurança foi reforçada no edifício do Estado-Maior, em Bissau FOTO: Joe Penney/Reuters

"Houve uma troca de tiros de Kalashnikov e depois os rebeldes refugiaram-se num edifício junto da base", referiu fonte militar citada pela agência Reuters.

Ao que se sabe, os boinas verdes ripostaram e usaram RPG para desalojar os assaltantes, matando pelo menos sete deles. Após cerca de uma hora de combate, o assalto foi repelido.

Fontes em Bissau confirmaram ainda ao Correio da Manhã informações da AFP, segundo a qual o assalto foi chefiado pelo capitão Pansau N'Tchama, ligado ao assassínio, em 2009, do então presidente Bernardo ‘Nino' Vieira.

Questionado pelo CM sobre a sua alegada ligação ao ‘contragolpe', Gomes Júnior remeteu explicações para o seu gabinete "logo que se saiba ao certo o que aconteceu". E sublinhou: "Sou promotor da democracia. O que queremos é o regresso à normalidade constitucional e isso não passa pela violência".

Refira-se que o capitão N'Tchama é próximo do antigo chefe militar Zamora Induta, exilado no nosso país tal como Gomes Júnior. Desde 2009, e até há poucos dias, o capitão esteve em Portugal a fazer formação militar e terá regressado para criar instabilidade e minar o poder do presidente interino, Sherifo Nhamadjo, e de Indjai, actual chefe militar.

 

PAÍS DE GOLPES DE ESTADO EM BUSCA DE ESTABILIDADE

O presidente interino da Guiné-Bissau, Sherifo Nhamadjo, não é bem visto pela União Europeia nem pela CPLP, que o consideram figura dominada pelo general António Indjai, chefe da junta militar que liderou o golpe de Estado do passado dia 12 de Abril.

Recorde-se que nessa altura Carlos Gomes Júnior era candidato favorito às eleições presidenciais. O clima de caos reinante desde aí levou a CEDEAO a enviar para o país uma força de estabilização de 600 efectivos.

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