Após nove dias de detenção e dois de incerteza quanto a uma saída sob fiança, o rosto da WikiLeaks, Julian Assange, foi ontem libertado pelas autoridades britânicas depois de pagar mais de 280 mil euros de fiança. Alegação de risco de fuga foi recusada.
"Agradeço aos meus apoiantes e advogados e ao sistema judicial britânico, pois provou que ainda não está morto", afirmou, à saída dos Royal Courts of Justice, aludindo ao pedido de extradição para a Suécia, onde é acusado de violação. "Vou continuar o meu trabalho e vou defender a minha inocência até poder revelar, logo que as tenhamos, as provas sobre estas alegações", afirmou.
Recorde-se que Assange foi libertado terça-feira, mas não chegou a sair pois um apelo remeteu-o de novo para a prisão. Mas agora vai trocar a cela pelo luxo de Ellingham Hall, uma mansão luxuosa rodeada de terrenos arborizados em Norfolk, onde ficará a aguardar a decisão do processo de extradição.
A oferta do refúgio – no qual estará em prisão domiciliária, com pulseira electrónica e obrigatoriedade de visitas diárias à polícia – partiu de Vaughan Smith, de 47 anos, militar na reserva e videojornalista amador, que fundou em Londres o clube de repórteres de guerra Frontline Club. "Todos temos de tomar posição, e foi isso que fiz", explicou Smith, sobre a oferta.
Curiosamente, Assange, o defensor da liberdade de informação, queria manter secreto o endereço do seu refúgio.
FIDEL CASTRO "QUASE MORREU"
O líder histórico cubano Fidel Castro esteve à beira da morte em 2006, revela um dos últimos telegramas diplomáticos divulgados pela WikiLeaks. Fidel sofreu uma perfuração do intestino durante um voo entre Holguin e Havana, afirmaram fontes não identificadas a diplomatas dos EUA em Cuba. "A doença não é curável e não lhe permitirá voltar a chefiar Cuba", sublinha o telegrama, acrescentando: "Não vai morrer já, mas perderá as faculdades e debilitar-se-á até morrer." Recorde-se que a doença forçou Fidel a abdicar em favor do irmão, Raúl, que foi líder interino até Fevereiro de 2008 e tomou posse então como presidente. Na mesma altura, a embaixada dos EUA em Caracas recomendou a Washington que advertisse Hugo Chávez contra a tentação de intervir militarmente em Cuba se Fidel morresse.
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