Relatório da Polícia Federal concluiu que foram dadas declarações "propositadamente falsas" para negar os crimes praticados pelo ex-presidente.
Militares que trabalhavam como assessores de Jair Bolsonaro mentiram em depoimentos à Polícia Federal (PF) brasileira para protegerem o antigo presidente das acusações de ter desviado presentes oficiais valiosos dados ao Brasil por outros países e de os ter vendido nos EUA e ficado com o dinheiro.No relatório de conclusão das investigações, que semana passada foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) com o indiciamento de Bolsonaro e outras 11 pessoas, entre elas advogados e militares de alta patente, a Polícia Federal descreveu que pelo menos dois assessores presidenciais deram informações falsas de propósito para desviar a atenção sobre o antigo governante.
"Evidencia-se, claramente, que os investigados combinaram as versões a serem apresentadas às autoridades policiais, com o objetivo de tentar ocultar os atos ilícitos praticados, no caso o envio das jóias ao exterior para serem negociadas e seus proventos serem revertidos, ilicitamente, ao acervo do ex-presidente", lê-se num relatório da Polícia Federal sobre o desvio e a venda no estrangeiro de vários presentes que deveriam ter sido incorporados ao acervo da presidência do Brasil, nomeadamente conjuntos de relógios de ouro das marcas Rolex, Chopard e Patek Philippe, colares, anéis masculinos e femininos em ouro e pedras preciosas, avaliados em vários milhões de euros levados por Jair Bolsonaro no avião presidencial ao fugir um dia antes do final do seu mandato, em dezembro de 2022, para os Estados Unidos, e vendidos.
Pelo menos dois dos assessores de Jair Bolsonaro, o sargento Osmar Crivelatti e o coronel Marcelo Câmara, afirma a PF, deram informações falsas para tentar provar que as jóias em questão não foram desviadas pelo antigo governante nem nunca saíram do Brasil. De acordo com os depoimentos de ambos, recolhidos em separado, os aludidos e valiosos presentes oficiais estavam armazenados em caixas numa quinta nos arredores de Brasília de propriedade do ex-piloto de Fórmula 1 Nelson Piquet, aliado e amigo de Jair Bolsonaro, juntamente com inúmeras outras peças do acervo pessoal do governante, à espera de um local definitivo para serem guardados.
Segundo esses depoimentos e a defesa feita pelos advogados do ex-presidente, Bolsonaro acreditou que as jóias em ouro e brilhantes em causa, a maior parte delas oferecidas durante viagens oficiais à Arábia Saudita e ao Bahrein, eram presentes pessoais e por isso as incorporou ao seu próprio acervo e as armazenou na quinta do amigo, onde ficariam mais seguras, até ser criado um local próprio definitivo, e que seriam necessários alguns dias até que fossem localizadas no meio de tantos objetos e apresentadas ao Tribunal de Contas, que as tinha exigido.As declarações propositadamente falsas, afirma a Polícia Federal, na verdade, tiveram o objetivo de negar os crimes praticados por Jair Bolsonaro ao apropriar-se ilegalmente de bens públicos e vendê-los visando proveito próprio, e dar tempo para que as jóias já negociadas em casas especializadas nos EUA fossem compradas de volta às pressas por outros aliados do ex-presidente e reintroduzidas clandestinamente no Brasil como se nunca tivessem saido do país
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