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Jair Bolsonaro indiciado por branqueamento de capitais e organização criminosa

Ex-presidente brasileiro é acusado de se ter apropriado ilegalmente de inúmeros presentes oficiais dados ao Brasil.

04 de julho de 2024 às 22:52

O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro foi indiciado no final desta quinta-feira por vários crimes, entre eles o de formação de organização criminosa. A acusação foi feita pela Polícia Federal (PF), ao concluir a investigação sobre o escândalo da venda de presentes oficiais dados ao Brasil por chefes de Estado estrangeiros.

Bolsonaro foi indiciado também pelos crimes de branqueamento de capitais e por crime de apropriação de bens públicos. Além do ex-presidente, a PF indiciou outras 11 pessoas no mesmo processo, entre elas o ex-ajudante-de-ordens da presidência, tenente-coronel Mauro Cid, vários militares, entre os quais um general, ppai de Cid, dois dos advogados do antigo governante, Fábio Wajngarten e Frederick Assef, e o ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque.

Neste processo, Jair Bolsonaro é acusado de se ter apropriado ilegalmente de inúmeros presentes oficiais dados ao Brasil e não a ele, nomeadamente relógios de ouro e jóias em ouro e brilhantes, de as ter levado com ele clandestinamente para os EUA e de as ter vendido neste país. Segundo a investigação, a intenção de Bolsonaro era obter lucro pessoal com os bens públicos e por isso ficou com o dinheiro resultante das vendas dos diversos objetos.

Ao longo da investigação, que durou um ano e meio, Bolsonaro primeiro negou veementemente ter-se apropriado fosse do que fosse, mas, à medida que as evidências foram aparecendo, mudou de tática. A última versão do antigo presidente, defendida até hoje pelos seus advogados, é que as jóias, avaliadas em muitos milhões de euros e que nunca foram declaradas nem incorporadas ao acervo da presidência, foram presentes de cunho pessoal dados a ele por governantes estrangeiros com os quais tem laços de amizade, não se tratando por isso de presentes oficiais e sim pessoais.

O indiciamento de Jair Bolsonaro no processo das jóias acontece exatamente no mesmo dia em que a Polícia Federal desencadeou uma operação contra aliados dele num outro processo a que ele responde, este por falsificação do boletim de vacinas. Neste caso, Bolsonaro é acusado de em 2022 ter mandado falsificar a tomada da vacina contra a Covid-19, que nunca tomou, para poder entrar nos EUA, que na altura exigiam essa imunização, e para onde fugiu um dia antes do final do seu mandato receando ser preso ao perder no dia seguinte a imunidade presidencial.

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