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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Atleta olímpica bielorrussa já se encontra na Polónia após tentativa de "sequestro"

Antes de sair do Japão, Tsimanouskaya, de 24 anos, disse que esperava poder continuar a sua carreira como velocista´.

04 de agosto de 2021 às 19:19

A atleta olímpica bielorrussa à procura de refúgio chegou esta quarta-feira à Áustria, depois de ter resistido a uma tentativa dos oficiais da equipa olímpica do seu país de enviá-la para casa, onde temia represálias do governo.

Krystina Tsimanouskaya embarcou num avião que partiu de um aeroporto em Tóquio para Viena, e dali seguiu para a Polónia, país que lhe ofereceu um visto humanitário.

Antes de sair do Japão, Tsimanouskaya, de 24 anos, disse que esperava poder continuar a sua carreira como velocista, mas que a segurança era a sua prioridade imediata.

O seu marido fugiu rapidamente, quando percebeu que a atleta não voltaria para a Bielorrússia e, ainda hoje o governo polaco disse ter-lhe concedido também um visto humanitário, anunciou o porta-voz do governo Piotr Muller aos jornalistas.

O aeroporto de Viena indicou que o voo direto de Tsimanouskaya aterrou hoje às 15:08 (14:08 em Lisboa).

Vadim Krivosheyev, ativista da Fundação de Solidariedade Desportiva da Bielorrússia, disse que a atleta embarcou no voo para a Áustria em vez de Varsóvia a conselho das autoridades polacas.

"A decisão de mudar de rota e voar para Viena foi tomada pelo governo polaco por razões de segurança", afirmou Krivosheyev à Associated Press, adiantando que a atleta deve dirigir-se para Varsóvia no final do dia de hoje.

A atleta de 24 anos, que participava nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, refugiou-se na embaixada da Polónia na capital japonesa depois de se ter negado a ser repatriada para Minsk.

Tsimanouskaya pediu proteção policial no aeroporto de Haneda, Tóquio, na passada segunda-feira quando o comité desportivo bielorrusso tentou "à força" obrigá-la a regressar à Bielorrússia.

A Polónia que apoia os exilados políticos bielorrussos da oposição contra o regime de Alexander Lukashenko ofereceu-se para receber a atleta olímpica.

O Comité Olímpico Internacional iniciou uma investigação para esclarecer o caso.

Tsimanouskaya apoiou os protestos contra o regime de Lukashenko e mantém contactos com dissidentes no interior do país temendo, por isso, represálias no regresso à Bielorrússia, explicou a atleta em vários vídeos que divulgou através das redes sociais, na semana passada.

Entretanto, a atleta pediu medidas cautelares de urgência ao Tribunal de Arbitragem Desportivo para que fosse anulada a decisão do comité bielorusso que não a deixou participar na prova de classificação dos 200 metros mas o pedido não foi considerado "porque a atleta não conseguiu provar o caso".

Na quinta-feira passada a desportista olímpica já tinha sido acusada pela televisão da Bielorrússia de ter perdido "espírito de equipa" e o "equilíbrio psicológico e emocional".

 

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