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Aumento do programa 'Bolsa Família' incendeia campanha no Brasil

Flávio Bolsonaro diz que medida mostra o desespero do atual presidente.

19 de setembro de 2026 às 01:30

A duas semanas da ida dos brasileiros às urnas, a decisão do presidente e candidato à reeleição Lula da Silva de aumentar em 15% o valor dos pagamentos mensais do programa social ‘Bolsa Família’ incendiou a campanha para as presidenciais, até agora ofuscada pelos escândalos envolvendo os juízes do Supremo Tribunal Federal. Ao anunciar o aumento rodeado de ministros e com transmissão pelas redes sociais, o que é incomum, Lula negou que o aumento tenha motivos eleitoralistas, mas os outros candidatos reagiram com indignação.

Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula, afirmou que o aumento mostra o desespero do chefe de Estado com a sua recente subida nas sondagens, enquanto Ronaldo Caiado e Augusto Cury classificaram a medida como claramente eleitoralista. Já Renan Santos, o mais contundente, chamou-a de “criminosa e ilegal” e anunciou que vai recorrer para o Tribunal Superior Eleitoral para pedir o cancelamento da decisão e uma punição severa a Lula por crime eleitoral.

O aumento vai atingir 19,3 milhões de famílias, num total aproximado de 69 milhões de pessoas, e começará a ser pago no dia 19 de outubro, entre a primeira e a segunda volta das presidenciais. Em 2022 o ex-presidente Jair Bolsonaro também reajustou o programa, nessa altura com outro nome, a três meses das presidenciais, mas dois anos depois, em 2024, o Supremo Tribunal Federal considerou a medida ilegal e cancelou o aumento.

Resta saber se o fará também neste caso, dada a guerra entre juízes e o controlo do Supremo por magistrados aliados do atual chefe de Estado, que tem nas famílias abrangidas pelo ‘Bolsa Família’ um importante reduto eleitoral. Sondagens divulgadas nos últimos dias mostram que 53% dos beneficiários do programa são eleitores de Lula, contra 28% que preferem Flávio.

Lula diz que Flávio "não é ninguém"

Num comício no estado de Minas Gerais, onde nas sondagens surge atrás de Flávio Bolsonaro, Lula da Silva reclamou de ser comparado ao principal rival na disputa, alegando que o filho de Jair Bolsonaro "não é ninguém". “Eu não quero ser comparado com o Flávio porque ele não é ninguém. Eu quero ser comparado com o pai dele, que foi presidente, governou por quatro anos e tentou dar um golpe. O pai dele, que planeou a minha morte", afirmou.

Crise no Supremo continua

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, aberta no início do mês quando o juiz André Mendonça divulgou mensagens comprometedoras para o colega Alexandre de Moraes, parece longe do fim. Depois de esta semana aliados de Moraes terem manobrado e conseguido suspender o julgamento dele por até 90 dias, agora foi a vez do presidente do STF, Edson Fachim, cancelar o julgamento marcado para dia 23 contra o próprio Mendonça devido aos ânimos exaltados.

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