Instituição ampliou o acesso permanente à facilidade de liquidez em euros por meio de acordos de recompra a todos os bancos centrais fora da zona euro.
O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), o irlandês Philip Lane, alertou esta quarta-feira para a escassez da oferta de ativos seguros denominados em euros num momento de maior fragmentação geoeconómica e incerteza.
"O design atual da arquitetura financeira da zona euro gera uma escassez de ativos seguros denominados em euros", disse Lane num discurso numa conferência em Frankfurt.
Lane acrescentou que o 'Bund', a obrigação alemã a dez anos, é o título nacional de um país grande com a classificação mais elevada na zona euro e, por isso, serve como o principal ativo seguro denominado em euros.
No entanto, advertiu Lane, "a quantidade de 'Bunds' é muito pequena em relação ao tamanho da zona euro ou do sistema financeiro global para satisfazer a procura de ativos seguros denominados em euros".
Ao mesmo tempo, as obrigações nacionais de outros países da zona euro não fornecem serviços de ativos suficientemente seguros devido à volatilidade dos diferenciais de preços e rendimentos, apesar de terem diminuído nos últimos anos depois da aplicação de numerosas reformas na zona euro, segundo Lane.
O BCE mostrou-se recentemente a favor da emissão de 'eurobonds', mas Lane não os citou diretamente neste discurso e mencionou outras opções.
O BCE ampliou o acesso permanente à facilidade de liquidez em euros por meio de acordos de recompra a todos os bancos centrais fora da zona euro, a menos que estejam excluídos devido a lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo ou sanções internacionais, como é o caso da Rússia.
Lane considerou que a ampliação deste acesso à liquidez em euros para os bancos centrais torna os ativos denominados em euros mais atraentes para os investidores globais.
Em princípio, segundo Lane, "títulos comuns apoiados pela capacidade orçamental combinada dos Estados membros da União Europeia (UE) podem fornecer serviços de ativos seguros".
"No entanto, a quantidade atual destes títulos é simplesmente muito pequena para fomentar a liquidez necessária e os serviços de gestão de risco (mercados de derivados, mercados repo) que são parte integrante de servir como um ativo seguro", disse Lane.
O preço dos títulos comuns da UE, que têm sido usados para financiar vários projetos da Comissão Europeia (CE), é bastante semelhante à média ponderada pelo produto interno bruto (PIB) dos títulos soberanos nacionais.
No entanto, Lane disse que os títulos comuns a nível da UE são menos líquidos do que os títulos franceses ou alemães.
O economista-chefe do BCE acrescentou que há diferentes maneiras de ampliar a quantidade de títulos comuns europeus, como já foi feito para financiar o pacote de estímulo NextGenerationEU para impulsionar a recuperação da economia europeia depois da pandemia.
Da mesma forma, os países europeus poderiam decidir financiar investimentos em bens públicos europeus através de mais dívida comum.
Além disso, os imperativos políticos comuns, como o financiamento urgente da Ucrânia, também justificam o endividamento conjunto, segundo Lane.
Também há outras maneiras de aumentar a quantidade de ativos seguros denominados em euros de forma rápida e decisiva, dando como exemplo a possibilidade de que cada membro da zona euro dedique uma quantidade de receitas de impostos indiretos para a emissão de títulos comuns e, com as receitas dessa emissão, adquira títulos nacionais de cada país que participe na emissão.
Isso aumentaria a quantidade de obrigações comuns e reduziria a de obrigações nacionais.
Lane enfatizou que ampliar a quantidade de dívida comum na Europa "depende, em última instância, da vontade política e da confiança mútua".
E por isso os países devem reconhecer que a segurança da dívida comum depende do compromisso de todos os membros em manter uma dívida nacional sustentável e uma disciplina orçamental a nível nacional.
Lane considera também que se se ampliar a quantidade de ativos seguros denominados em euros, aumentará também a sua procura, que incrementaria o tamanho e a rentabilidade das empresas europeias, que teriam mais incentivos para emitir obrigações corporativos para se financiar no mercado.
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