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Berlusconi repreendido por influenciar a mãe

Os italianos foram ontem às urnas no primeiro dia de votação das eleições gerais que poderão ditar o fim da era Berlusconi. Ao seu melhor estilo, o primeiro-ministro cessante protagonizou o único incidente deste dia eleitoral, ao aconselhar a mãe a optar pelo seu partido, o Forza Italia!, em plena mesa de voto, o que lhe custou uma imediata reprimenda.

10 de abril de 2006 às 00:00

Ontem, os dois principais candidatos à vitória depositaram cedo os respectivos boletins de voto nas urnas. Romano Prodi, líder da coligação de centro-esquerda, votou na sua cidade natal, Bolonha, no Norte do país. “Dormi muito bem, está um belo dia de sol e espero que tudo acabe da melhor maneira possível”, declarou Prodi.

Por seu lado, Berlusconi surgiu numa secção de voto de Milão acompanhando a mãe, Rosa, de 95 anos, e, perante as câmaras de televisão, aconselhou: “Ponha uma cruz na Forza Italia!”. Como seria de esperar, foi imediatamente repreendido por um elemento da mesa de voto. “Nem sequer posso ajudar a minha mãe? Vocês são mesmo da Itália que não ama”, replicou Berlusconi, numa alusão ao seu discurso de encerramento da campanha, no qual defendeu “uma Itália que saiba amar”. Já no exterior da assembleia de voto, o chefe do governo italiano teve ainda outra tirada digna do seu ‘repertório’: “Agora vou com a minha mãe almoçar ao restaurante, como dois jovens amantes”.

Relativamente ao resultado final é ainda cedo para fazer quaisquer prognósticos, até porque a votação prossegue hoje até às 15h00 locais (14h00 em Lisboa). Prodi, recorde--se, foi inicialmente favorecido pelas sondagens. No entanto, durante cerca de duas semanas não foram divulgados novos dados sobre as intenções de voto dos italianos. Berlusconi optou então por protagonizar uma campanha bastante aguerrida, o que poderá ter jogado em seu favor, ou, pelo contrário, prejudicá-lo decisivamente. No entanto, é importante não esquecer que o passado já mostrou que Berlusconi é capaz de verdadeiros ‘milagres’ eleitorais.

A jornada eleitoral de ontem ficou ainda marcada por outro incidente, este de natureza criminosa, quando uma secção de voto na localidade de Vittorio Veneto (nordeste) foi atacada com três ‘cocktails molotov’ e um engenho explosivo de fabrico artesanal que não chegou a explodir. Não houve danos, e a votação decorreu dentro da normalidade.

CASA DAS LIBERDADES (La Casa Delle Liberta)

FORÇA ITÁLIA

Partido dirigido pelo actual primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

ALIANÇA NACIONAL

Partido conservador dirigido pelo ministro dos Negócios Estrageiros e Gianfranco Fini.

UNIÃO DEMOCRÁTICA CRISTÃ

Partido católico moderado, dirigido por Lorenzo Cesa.

OUTROS PARTIDOS

LIGA DO NORTE - MOVIMENTO PARA A AUTONOMIA

Coligação formada pelo partido de extrema-direita 'Liga do Norte' e pelo partido centrista 'Movimento para a autonomia'.

NOVA DC – NPSI

Coligação formada pelo partido centrista 'Democracia cristã para as autonomias', um pequeno partido socialista 'Novo PSI'.

ALTERNATIVA SOCIAL

Coligação de extrema-direita e de movimentos fascistas, liderado por Alessandra Mussolini, neta do antigo ditador.

PARTIDO CHAMA TRICOLOR

PARTIDO LIBERAL REFORMADOR

MOVIMENTO NÃO AO EURO

OLIVEIRA

Coligação de três partidos, 'Democratas de Esquerda' de Piero Fassini, 'A Margarida' de Francesco Rutelli e o 'MRE' de Luciana Sbarbati.

PARTIDO DA REFUNDAÇÃO COMUNISTA

Partido comunista refundado, liderado por Fausto Bertinotti.

FEDERAÇÃO DOS VERDES

Partido ecologista dirigido por Alfonso Pecorar Scanio.

OUTROS PARTIDOS

MOVIMENTO ROSA NO PUNHO

Movimento liberal e libertário composto pelos 'Socialistas Democratas Italianos' de Enrico Boselli e pelos 'Radicais Italianos' de Danielle Capezzone.

PARTIDO DOS COMUNISTAS ITALIANOS

Partido Euro-Comunista liderado pr Oliviero Diliberto, faz coligação como os 'Verdes' e com a 'Lista de Consumidores'

ITÁLIA DOS VALORES

Movimento moderado centro-esquerda, drigido pelo ex-magistrado Antonio Di Pietro.

POPULAR UDEUR

Pequeno partido centrista de Clemente Mastella.

OS SOCIALISTAS

PARTIDO DOS PENSIONISTAS

"GRANDE CONFUSÃO" (P. Cordeiro, Pontifício Colégio Português)

“Campanha foi uma grande confusão. É um registo e um estilo completamente diferente de Portugal, onde um primeiro-ministro como Berlusconi há muito que já estaria fora do governo. As sondagens apontavam para um empate técnico, embora se sinta uma vontade de mudar, uma vontade de respirar, uma vontade de recuperar o orgulho italiano, de afirmação do país no contexto europeu e internacional. O interessante neste país, e que o torna único, é que, com ou sem governo, desta ou daquela cor, com este ou aquele primeiro-ministro, a vida continua, calma e serenamente.”

"TENDÊNCIA DE MUDANÇA" (P. Vilarinho, Missionário da Consolata)

“Já assisti a várias campanhas eleitorais em Itália e nunca vi nenhuma tão intensa. Nunca, até hoje, se ouviu nada de semelhante entre adversários políticos. Sente-se que há uma grande tendência para a mudança. Nota-se que as pessoas estão um pouco fartas deste primeiro-ministro e a ideia que passa é a da necessidade de mudar de governo. A direita tem gente capaz, como Gianfranco Fini e Fernandino Casisi. O problema é o estilo Berlusconi. O mesmo não se passa no centro-esquerda, que é muito mais unido.”

AFLUÊNCIA DE 67,6 POR CENTO

Um total de 67,6 por cento dos cerca de 50 milhões de eleitores inscritos votaram ontem, no primeiro dia das eleições gerais italianas. As 60 997 assembleias de voto espalhadas por todo o país encerraram às 22h00 locais (21h00 em Lisboa) reabrindo às 07h00 de hoje.

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