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Correio da Manhã

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BLIX QUER MAIS TEMPO

O chefe dos inspectores da ONU, Hans Blix, disse ontem ao Conselho de Segurança que serão necessários meses para avaliar se o Iraque cumpriu as suas obrigações em matéria de desarmamento, embora notando que o regime de Bagdad “acelerou” no último mês a sua cooperação com os inspectores.
8 de Março de 2003 às 00:00
Os EUA e o Reino Unido pretendem, no entanto, fazer um ultimato a Saddam Hussein, exortando-o a provar, até ao próximo dia 17, que está a cumprir as suas obrigações. Caso contrário, será atacado.

O novo relatório apresentado por Hans Blix e Mohammed El-Baradei, director da Agência Internacional de Energia Atómica, nota progressos na cooperação do regime iraquiano com os inspectores, nomeadamente, no que diz respeito à forma tranquila como estão a decorrer as inspecções e à decisão iraquiana de destruir os seus mísseis Al-Samoud II, descrita pelo chefe dos inspectores como “uma substancial medida de desarmamento”. Blix notou, no entanto, que os inspectores precisam de dois meses” para fazer o seu trabalho e adiantou que a cooperação iraquiana ainda não pode ser descrita como “cumprimento imediato” da Resolução 1441, o que foi imediatamente aproveitado por Washington e Londres para clamar que o regime de Bagdad continua em “violação material” das resoluções das Nações Unidas.

El-Baradei anunciou, por seu lado, que até ao momento não foram encontradas quaisquer indícios de que o Iraque tenha reatado o seu programa nuclear, e denunciou que as “provas” apresentadas por Washington relativamente à alegada compra de urânio ao Níger pelo Iraque não passam de “falsificações”.

Entretanto, o Reino Unido anunciou que as emendas que vai introduzir à sua proposta com vista a uma segunda resolução contra o Iraque incluem um ultimato ao presidente Saddam Hussein, para provar, até ao próximo dia 17 deste mês, que não possui armas de destruição em massa.

O ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Dominique de Villepin, assegurou já que o seu país se opõe à ideia de um ultimato. “Esta proposta reflecte uma lógica de guerra. Não aceitamos essa lógica”, afirmou.
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