Durante a visita, o presidente do Brasil vai assinar acordos de cooperação nas áreas de tecnologia, defesa e de comércio.
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O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, viaja este sábado para uma visita oficial de quatro dias a Israel, onde deve chegar na manhã deste domingo.
Mostrando claramente uma mudança radical de postura do governo brasileiro em relação ao Médio Oriente, Bolsonaro, ao contrário do que costumam fazer chefes de Estado que visitam a região, ficará apenas em Israel e não vai visitar a vizinha Palestina, apesar de ter sido convidado.
O embaixador da Palestina em Brasília, Ibrahim ALzeben, afirmou que o governo brasileiro nem recusou o convite oficial para Bolsonaro visitar a região controlada pelos árabes ou para se encontrar com as autoridades desse terrítório. O convite, simplesmente, foi ignorado, não teve qualquer resposta.
A viagem de Bolsonaro a Israel, num momento em que o Brasil atravessa uma profunda crise política e económica que necessita de respostas urgentes, insere-se na decisão do presidente brasileiro de virar as costas para a tradicional neutralidade e bom diálogo do Brasil com todas as nações e se alinhar claramente aos Estados Unidos de Donald Trump e a Israel de Benjamin Netanyahu. Bolsonaro, um radical de direita, vê nesses dois governantes os parceiros ideais para a sua política externa e tenta até copiar posições e ações deles no Brasil.
Na visita a Israel, Bolsonaro vai assinar acordos de cooperação nas áreas de tecnologia, defesa e de comércio, visitará o Memorial do Holocausto, o Muro das Lamentações, presidirá a um encontro de empresários do Brasil e de Israel e visitará uma comunidade brasileira radicada no interior daquele país. Mas os avanços que eventualmente possam ser alcançados nessa nova parceria com Israel, ao menos em termos económicos, podem ser ofuscados por eventuais retaliações dos países árabes, grandes clientes do Brasil.
No seu conjunto, países árabes, que já se disseram indignados com o alinhamento de Bolsonaro a Israel, são o segundo maior comprador mundial de carne de aves do Brasil, um mercado de milhares de milhões de euros por ano, além de inúmeras outras áreas em que os interesses brasileiros podem ser gravemente afetados pelas inclinações políticas e pessoais do novo governante brasileiro.
Vai depender muito da postura e das declarações dele durante a visita a Israel e, principalmente, da decisão de mudar ou não a embaixada brasileira de Telavive para Jerusalém, prometida por Bolsonaro mas ainda incerta devido aà oposição até de parte dos ministros dele.
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