Gabriel Giner Colás, guarda-costas do vereador socialista basco Juan Carlos Domingo, estava de folga e decidiu passar umas horas num parque perto da sua casa, em Ibaizabal, no bairro de La Peña, próximo do centro histórico de Bilbau.
Saiu de casa cerca de 13h30 (12h30 em Lisboa) e tinha percorrido aproximadamente 400 metros quando o carro explodiu, causando-lhe queimaduras de segundo e terceiro graus no rosto e nas mãos e uma ferida nas costas. O ataque não foi reivindicado, mas as autoridades espanholas atribuem-no à ETA.
A bomba-lapa colocada na parte posterior direita do Renault Mégane branco de Gabriel Colás tinha um quilo de amonal e estaria munida de um mecanismo de pêndulo, que provoca a explosão quando a viatura passa por um buraco ou uma lomba.
Além de ferir gravemente (mas sem risco de vida) o guarda-costas, a explosão causou ferimentos ligeiros a três outras pessoas e danos em contentores e viaturas que estavam nas proximidades. O Renault Mégane ficou completamente queimado.
Numa entrevista à rádio Onda Cero, Mariano Rajoy, líder do PP, adiantou que Gabriel Colás, de 36 anos, era um militante do partido e que se preparava para se mudar para Saragoça, a sua cidade natal. A mãe até se deslocara a La Peña para o ajudar na mudança.
O vereador socialista Juan Carlos Domingo, ‘número dois’ da localidade de Galdácano, mostrou-se “muito impressionado” com o ataque e considerou que ele teria por alvo o seu guarda-costas já que só pontualmente usava o seu carro.
ALERTA EM MADRID
Este ataque, que parece ser uma resposta à prisão da cúpula do Batasuna por ordem do juiz Baltasar Garzón, ocorreu horas depois de o ministro do Interior espanhol, Alfredo Rubalcaba, ter anunciado o reforço das medidas de segurança, particularmente em Madrid, perante a possibilidade de a ETA atacar no Dia da Festa Nacional, na sexta-feira. “Esta data é especialmente apelativa para a ETA pela sua pretensão de condicionar a agenda política, social e institucional”, justificou.
Recorde-se que após as detenções, Pernando Barrena, porta-voz do Batasuna, advertiu que se avizinhavam “tempos obscuros e novo ciclo de violência”. Rubalcaba considerou que estas declarações ofendem a memória dos espanhóis, incluindo os bascos e os eleitores do Batasuna”. O ministro acusou ainda o Batasuna de não querer a paz.
- 7 atentados perpetrou a ETA após romper o cessar-fogo, a 5 de Junho de 2007. Seis deles falharam. Apenas conseguiu materializar o ataque contra o quartel de Durango.
- 750 suspeitos da ETA (aproximadamente) foram detidos desde 2000. Quer a Espanha quer a França têm apertado o cerco à organização e já detiveram líderes da cúpula.
TERRORISMO
A Espanha, os EUA e a União Europeia incluíram a ETA na lista dos grupos terroristas. O braço político da organização, o Batasuna, foi ilegalizado em 2002.
DIÁLOGO
Em finais de Junho, Zapatero anunciou no Parlamento que ia tentar o diálogo de paz. Agora, tal como o juiz Garzón, o governo acusa a ETA de não querer a paz.
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