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Boris Johnson defende controlo da imigração para criar economia de "salários elevados" no Reino Unido

Primeiro-ministro britânico diz que quer "resolver os problemas que nenhum Governo teve a coragem de resolver". 
Lusa 6 de Outubro de 2021 às 13:16
Boris Johnson
Boris Johnson FOTO: Reuters
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, prometeu hoje continuar a controlar a imigração no Reino Unido e introduzir um novo modelo económico pós-Brexit de "salários elevados", mas admitiu que "vai demorar tempo" e "vai ser difícil".

No discurso de encerramento do congresso do Partido Conservador, em Manchester, Johnson disse que pretende eliminar "as fragilidades de longo prazo da economia britânica" que caracterizavam o período antes do Brexit e "resolver os problemas que nenhum Governo teve a coragem de resolver". 

"Estamos a embarcar agora numa mudança de direção que era necessária há muito tempo na economia britânica. Não vamos voltar ao modelo falhado de sempre, de salários baixos, crescimento baixo, poucas competências e falta de produtividade, tudo isto possibilitado e ajudado por imigração descontrolada", garantiu. 

Numa referência aos atuais problemas nas cadeias de abastecimento dos supermercados, restaurantes e postos de combustíveis e falta de mão-de-obra em setores como a restauração e turismo, entre outros, o líder Conservador desafiou os apelos do patronato para flexibilizar o recrutamento de estrangeiros. 

"A resposta às atuais tensões e pressões, muitas das quais são o resultado do crescimento e da recuperação económica, não é voltar a usar a alavanca do costume de imigração descontrolada e manter os salários baixos", argumentou. 

"A resposta", insistiu, desencadeando aplausos da audiência, "é controlar imigração, deixar pessoas com talento vir para este país e não usar a imigração para o fracasso no investimento nas pessoas, em competências, em equipamento e instalações, em maquinaria".  

O primeiro-ministro admitiu que "vai demorar e às vezes vai ser difícil, mas essa foi a mudança que a população votou em 2016", quando, quando 52% dos britânicos votaram a favor da saída da União Europeia (UE)", reivindicou. 

O Governo britânico tem estado sob pressão devido às críticas da oposição e preocupação dentro do próprio partido com a subida dos preços da energia e combustíveis, coincidindo com o fim, hoje, de um suplemento temporário do subsídio de subsistência (Universal Credit). A Resolution Foundation, instituição que estuda as condições de vida das pessoas com rendimentos médios e baixos, reiterou hoje que "4,4 milhões de famílias, com 5,1 milhões de adultos e 3,5 milhões de crianças, vão ver o seu rendimento cair" cerca de 86 libras (101 euros) por mês. 

"Para um milhão de famílias, isso significará uma perda imediata de mais de 10% do seu rendimento", disse o diretor, Torsten Bell.

Muitos receiam um "inverno de descontentamento", uma referência ao período no final dos anos 1970, caracterizado por greves e protestos causados pelo aumento do custo de vida, que contribuiu para o Partido Trabalhista perder as eleições para a então líder dos 'tories', Margaret Thatcher.   

Johnson reconheceu hoje que o Reino Unido tem "uma das sociedades mais desequilibradas e economias mais desiguais dos países ricos, que é visível nas diferenças entre regiões". 

No entanto, insistiu na sua política de "nivelar" o país social, económica e geograficamente, defendendo que "não é apenas uma questão de justiça social, é um desperdício chocante de potencial que está a travar este país". 

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