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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Boris Johnson nega existência de festa do Governo britânico em 2020 durante restrições da Covid-19

Em causa está um vídeo onde surgem funcionários do governo a fazerem piadas sobre uma festa que teria decorrido em Downing Steet.

08 de dezembro de 2021 às 13:14

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, pediu desculpa esta quarta-feira após ter sido divulgado um vídeo onde surgem funcionários do governo a fazerem piadas sobre uma festa que teria decorrido em Downing Steet, no Natal de 2020, quando estavam em vigor fortes restrições devido à pandemia de covid-19.

Johnson afirmou que ficou furioso com as imagens agora divulgadas, sublinhando várias vezes que a festa não existiu.

"Peço desculpas pelas ofensas que provocou em todo o país e peço desculpa pela impressão que passou", sublinhou o primeiro-ministro britânico, reforçando mais uma vez que não houve festa e que nenhuma regra da Covid-19 teria sido quebrada.

As imagens, divulgadas pelo canal ITV, mostram a então porta-voz do governo, Allegra Stratton, a participar numa falsa conferência de imprensa - sem a presença de jornalistas – em que é questionada de forma jocosa por funcionários sobre a festa que teve lugar quatro dias antes, a 18 de dezembro de 2020, em Downing Street.

"Fui para casa ...", respondeu entre risadas Stratton. O funcionário insistiu e perguntou se o primeiro-ministro aprovou a celebração das festas de Natal na sede do Executivo, ao que o porta-voz respondeu: "E o que eu respondo a isso?"

"Essa festa fictícia foi uma reunião de trabalho ... e não houve distanciamento social", acrescentou Stratton diante da cumplicidade dos funcionários que representavam os jornalistas na falsa conferência de imprensa.

A existência da festa já era conhecida depois de ter sido divulgada há poucos dias pelo jornal Daily Mirror, mas o vídeo que demonstrava a celebração e as piadas que os altos funcionários do governo fizeram despertou uma reação nos medias britânicos e na oposição.

Numa reação fulminante, o líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, pediu ao primeiro-ministro Boris Johnson para "confessar e se desculpar".

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