Um estudo brasileiro do Instituto de Pesquisa Económica Aplicada concluiu que a maioria dos brasileiros considera que mulheres com pouca roupa merecem ser alvo de abusos.
'Eu não mereço ser estuprada' é o nome de uma campanha lançada por uma jornalista brasileira, Nana Queiroz, depois serem conhecidos os resultados de um estudo levado a cabo pelo Instituto de Pesquisa Económica Aplicada (IPEA). A campanha pede o fim da violência sexual.
O estudo do IPEA revela que 65,1% dos brasileiros concordam, total ou parcialmente, que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”.
Já 58,5% dos inquiridos julgam ainda que se as mulheres se “soubessem comportar haveria menos estupros”.
Por outro lado, 3800 pessoas, espalhadas por todo o Brasil, foram ouvidas pelo coordenador da pesquisa Daniel Cerqueira que explica, “a sociedade brasileira está impregnada de machismo”.
A campanha, que foi lançada no Facebook no dia 27 de março, já tem cerca de 55 mil seguidores e tem atingido grandes proporções.
Por um lado, mulheres, homens, famílias e até grupos de amigos publicaram na página oficial do movimento réplicas da fotografia que Nana Queiroz tirou para se fazer ouvida.
Num papel ou no próprio corpo, os brasileiros que estão solidários com esta causa escrevem e deixam-se fotografar com o lema da campanha: “Eu não mereço ser estuprada.”
Mas, por outro lado, Nana Queiroz tem recebido dezenas de ameaças de violação, insultos e até explicações acerca da legitimidade dos violadores.
"Cinco minutos depois eu já tinha uma ameaça de estupro, dez minutos depois eu já estava num site pornô pedindo para ser estuprada, minha foto manipulada. Eu estava com os braços escritos – 'não mereço ser estuprada'. Eles apagaram o 'não' - e colocaram 'mereço ser estuprada'", relatou Nana Queiroz à ‘Globo’.
A jornalista “não quer deixar barato” e já apresentou queixa na Delegacia da Mulher: “Mulher que tomou essa ameaça vá a delegacia, faça a sua denúncia, ganhe proteção da polícia, do seus amigos. Eu acho muito importante que isso aconteça para que esse movimento não sirva, ninguém tire vantagem dele para se vingar da atitude feminina estuprando”, destacou Nana Queiroz numa entrevista concedida à ‘Globo’.
A campanha que tem incenciado o Brasil até já recebeu o apoio da Presidente Dilma Rousseff através do Twitter.
"A jornalista @nanaqueiroz se indignou c/ os dados da pesquisa do @ipeaonline sobre o machismo na nossa sociedade #respeiteasmulheres", escreveu a Presidente brasileira na rede social."Por ter se manifestado nas redes contra a cultura de violência contra a mulher, a jornalista foi ameaçada de estupro. Organizadora do protesto #NãoMereçoSerEstuprada, @nanaqueiroz merece toda a minha solidariedade e #respeito", completou a presidente.
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