O enfraquecido governo trabalhista do primeiro-ministro Gordon Brown sofreu um rude golpe depois de o ‘The Daily Telegraph' revelar que 13 membros do executivo, incluindo o próprio Brown, usaram de forma irregular, em benefício próprio ou de familiares, o sistema de subsídios parlamentares. Os abusos incluem pagamentos de obras, serviços de limpeza, compra de móveis e viagens.
Um dos casos mais ridículos envolve o líder de governo. Este terá usado o dinheiro dos contribuintes para pagar 6.577 libras (cerca de 7.430 euros) ao irmão, Andrew Brown, por serviços de limpeza no seu apartamento em Londres, entre 2004 e 2006. O curioso é que Andrew é um executivo da companhia francesa de electricidade EDF, pelo que claramente não realizou esse tipo de trabalho.
Um porta-voz de Downing Street explicou que os irmãos partilhavam a mesma empregada. Andrew pagava, alegadamente, a totalidade dos serviços e era depois reembolsado por Gordon. O montante referido seria, pois, de reembolsos.
A explicação dificilmente convencerá os britânicos que ficam ainda a saber que Brown mobilou uma casa de campo, na Escócia, à custa do Estado e recebeu duas vezes a devolução dos gastos com a mesma conta de obras de canalização. Outros envolvidos no escândalo são David Miliband, que gastou milhares em jardinagem, Peter Mandelson, ministro do Comércio, que usou os subsídios para fazer melhorias numa casa oficial que depois vendeu com lucro considerável, ou ainda Jack Straw, ministro da Justiça, que apesar de ter um desconto de 50% no imposto municipal requerou a devolução da totalidade do mesmo. Após a revelação do caso, Straw devolveu o excesso.
O SISTEMA FUNCIONA?
Harriet Harman, vice-presidente do Partido Trabalhista, defendeu os implicados no caso e considerou caber ao gabinete parlamentar responsável pela validação dos subsídios averiguar a pertinência dos mesmos. 'O sistema prevê que os responsáveis da Câmara dos Comuns não paguem nada que não esteja dentro das normas', afirmou, considerando que no Reino Unido os níveis de corrupção 'são bem inferiores aos existentes noutros países'.
Embora nenhum dos casos envolva utilizações ilegais dos fundos públicos, as irregularidades põem em causa a credibilidade do governo trabalhista numa altura em que a crise internacional exigem dos governos uma maior transparência e rigor de gestão, e maior controlo orçamental.
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