Casal foi detido durante uma travessia pelo Irão enquanto realizava uma viagem de moto pelo mundo e condenado a 10 anos de prisão. Família fala em "julgamento simulado" e pede ação das autoridades inglesas.
Um casal britânico detido no Irão e condenado a 10 anos de prisão depois de serem acusados de espionagem iniciou uma nova greve de fome para pressionar as autoridades a serem libertados. Lindsay Foreman, de 53 anos, e Craig Foreman, de 52, provenientes de East Sussex, foram detidos em janeiro do ano passado durante uma travessia pelo Irão enquanto realizavam uma viagem de mota pelo mundo. O casal esteve primeiro numa prisão na cidade de Kerman, tendo sido transferido depois para Teerão, para o estabelecimento de Evin.
Relatos do casal dão conta de que, ao chegarem ao Irão, Lindsay questionou várias pessoas na rua sobre o que seria uma "vida boa", tendo sido isso o que levou à detenção por parte das autoridades iranianas.
"Não imaginávamos que turistas inocentes acabariam na prisão por tanto tempo sem provas", referiu Lindsay, citada pela BBC. Relatos na imprensa britânica dão conta de que a mulher esteve em confinamento numa solitária durante 57 dias e que o marido foi interrogado, de olhos vendados, durante o período na solitária, situação que relatou como "horrível". A família descreveu o julgamento como "simulado".
O casal já tinha feito um período de greve de fome em novembro de 2025, para alertar as autoridades inglesas para que unissem esforços na sua libertação. "Não comer era o único poder que ela tinha", relatou o filho de Lindsay depois de uma conversa telefónica com a mãe de sete minutos que lhe foi permitida na altura. "Ela disse que se sentia perdida e dececionada, tanto com o governo inglês, como com as autoridades iranianas", acrescentou.
No início de maio deste ano a família do casal alegou que os detidos estavam sem contacto com os entes queridos. "Não sabemos se minha mãe e Craig estão seguros", disse o filho de Lindsay à BBC. Os familiares revelaram terem sido informados de que o casal teria sido colocado em confinamento e proibidos de se verem um ao outro. Na altura da detenção, a ministra dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Yvette Cooper, classificou o processo e a sentença como "absolutamente revoltante e absolutamente injustificável".
"A minha mãe e Craig não podem esperar que Westminster resolva a própria crise", referiu o filho de Lindsay em entrevista recente à BBC, em alusão à crise vivida atualmente no governo britânico. "Duas vidas estão em jogo", referiu o filho, que realçou que a secretária dos Negócios Estrangeiros britânica "deve agir imediatamente".
O ministro dos Negócios Estrangeiros inglês apelidou os membros do casal detido como "turistas inocentes" e classificou o caso como "uma injustiça", em declarações no Parlamento britânico em abril. O governo indicou ainda que o embaixador britânico em Teerão tem feito esforços para prestar assistência consular, incluindo com visitas do embaixador ao casal na prisão.
Uma das companheiras de cela de Lindsay foi condenada à morte, na sequência dos protestos no país em janeiro e onde morreram milhares de pessoas.
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