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Caso Sarney abre guerra no Senado

A crise que se vive no Senado brasileiro na sequência de acusações de irregularidades várias de que é alvo o seu presidente, José Sarney, gerou um clima de guerra naquela câmara que culminou com uma pouco digna troca de insultos. Renan Calheiros, aliado do ex-presidente brasileiro, e Tasso Jereissati, da oposição, protagonizaram os momentos mais vergonhosos da sessão, transmitidos e comentados pelos ‘media’.<br/><br/>

08 de agosto de 2009 às 00:30

Na guerra de insultos, que durou mais de duas horas, Renan Calheiros, líder do Partido do Movimento Democrático Brasileiro, no governo, chegou a chamar "coronel de m..., você é uma m..." a Tasso Jereissati, presidente do Partido da Social Democracia Brasileira. Renan acusou ainda Tasso de gastar fundos públicos em viagens em "jactinhos", e Tasso respondeu que, pelo menos, o jacto é dele e não de empreiteiros, como os usados por Renan. Noutro ponto, Tasso gritou para Renan não lhe apontar o seu "dedo sujo" e chamou-lhe ‘cangaceiro de terceira categoria".

A acalorada sessão foi a primeira desde que o presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque, amigo de Sarney, arquivou quatro das 11 acções instauradas no órgão contra este último, dando a entender que fará o mesmo às restantes.

O Partido dos Trabalhadores manteve uma posição discreta nesta discussão, preferindo assistir a intervir, mas não poderá ficar assim muito tempo já que os seus votos são decisivos para a solução da crise. Dividido entre obedecer a Lula da Silva, que apoia Sarney, e a opinião do grupo parlamentar que quer afastá-lo, o PT tem de tomar uma posição clara.

MEMBROS DO CONSELHO POUCO ÉTICOS

O Conselho de Ética, órgão que tem a cargo pugnar pela observância da lisura do comportamento parlamentar e civil dos 81 senadores brasileiros, dá poucas garantias de seriedade. Entre os seus 30 membros efectivos e suplentes, 21, isto é 70%, são réus em acções penais a tramitar em tribunais ou são alvo de inquéritos instaurados pelo Supremo Tribunal, acusados ou suspeitos dos mais variados crimes. O estudo, feito pelo diário ‘O Estado de S. Paulo’, mostra que os restantes têm contra si suspeitas de favorecimento a parentes e amigos.

APONTAMENTOS

UM ACTO NORMAL

Para José Sarney, a nomeação do namorado da neta a pedido desta para um cargo no Senado, sem concurso, é um acto normal. Afinal, declarou o senador, qual o avô que não atenderia ao pedido de uma neta?

CHAMOU "LADRÃO"

Um funcionário do Banco Central que estava no Senado e chamou "ladrão" a José Sarney ao vê-lo passar num salão foi detido, por ordem do senador. Já foi libertado mas vai responder num processo.

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