Serviços funerários no país podem rondar os 140 euros, mas há quem pague até 15 mil euros para celebrar a morte.
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Se tem recorrido à internet para passar os dias de quarentena, com certeza não ficou indiferente aos vídeos e 'memes' que circulam nas redes sociais e que incluem vários homens a carregarem caixões enquanto dançam ao som de uma música eletrónica, criada e inserida de propósito.
Existem centenas de vídeos virais e o esquema é sempre o mesmo: primeiro surgem imagens de pessoas em situações que vão gerar problemas, como por exemplo um susto, uma queda, uma situação que deverá mesmo acabar mal. Pouco antes de acontecer, a sequência é cortada e surgem algumas pessoas a dançar de maneira "exagerada" com um caixão aos ombros, enquanto se ouve música eletrónica a tocar.
"Quando um jovem morre, é uma coisa dolorosa, mas se alguém mais velho o faz, tudo isso está preparado para celebrar a vida", explica Emmanuel Agyeman, da funerária EA Hearse Services & Funeral Agreement, no Gana, em África, à publicação El País. Nesta funerária, a morte é levada como uma celebração.
A maioria das imagens que circula pela internet foi gravada já em 2017 para peças jornalísticas da Associated Press e da BBC.
Nos trabalhos realizados na altura, surge um dos precursores do ritual. O ganense Benjamin Aidoo ingressou na profissão em 2007 e promoveu algo como a versão 2.0 dos carregadores urnas. Os carregadores transportavam apenas o caixão aos ombros, como é feito em muitos países europeus. A nova versão consiste não só em transportar o caixão, mas também em acompanhá-lo com uma música mais alegre e adornando os funerais com conjuntos mais atraentes do que o habitual.
"No começo, os carregadores usavam preto nos funerais. Quando comecei, decidi adicionar algumas variantes, comprar as minhas próprias roupas, os meus sapatos. Além disso, tentamos sempre melhorar a coreografia e novas maneiras de dançar", disse Aidoo em 2017 à Agência Associated Press.
O serviço básico de carregadores, como os que aparecem nos vídeos partilhados em redes sociais como o Tik Tok ou o Instagram, pode rondar os 140 euros, segundo Emmanuel Agyeman.
No entanto, o preço também varia. "O orçamento, ao qual acrescentamos outras despesas de funeral, inclui a contratação de oito pessoas: seis para carregar o caixão sobre os ombros, outra para liderá-los e tocar flauta. Se quiser mais músicos, ou até uma volta mais longa com o caixão até duas horas, terá de pagar mais", explica.
Quando os familiares do falecido consideram que não existem pessoas suficientes para comparecer ao funeral, optam por contratar os serviços extras, que são os que mais dançam ou mais choram, dependendo do momento de celebração e desejo do cliente. As celebrações são ainda acompanhadas por banquetes abundantes.
O dono da funerária admite que no país africano, onde 25% da população vive abaixo da linha de pobreza, há famílias que gastam até 15 mil euros nas celebrações funerárias.
Emmanuel Agyeman descobriu há pouco tempo os 'memes' em vídeo dos carregadores de caixões. "É normal que as pessoas gostem, o que eu não entendo muito bem é como é que se tornou tão famoso na Europa e quem conseguiu editar isto para fazer parecer que é uma coisa má", confessou à publicação espanhola, relembrando que nestes países "a morte é celebrada.
Este não é um ritual apenas do Gana. No Togo ou na Nigéria também são realizados estes tipos de rituais fúnebres, que envolvem danças, músicas e muita diversão para os presentes.
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