Entrada em funcionamento do ATI, poderá servir para receber resíduos das outras centrais nucleares espanholas.
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A central nuclear espanhola de Almaraz já recebeu autorização para por em funcionamento o armazém de resíduos nucleares, segundo o Movimento Ibérico Antinuclear (MIA), lamentando uma decisão que já esperava.
Nuno Sequeira, ambientalista da Quercus, que integra a comissão coordenadora do MIA, confirmou que a Direção-Geral de Política Energética e Minas do Ministério para a Transição Ecológica autorizou a entrada em funcionamento do Armazém Temporário Individualizado (ATI), localizado na central nuclear de Almaraz.
"Não é uma decisão que nos surpreenda de todo. Nós sabíamos que apesar de tudo aquilo que aconteceu em 2018 e, sobretudo em 2017, que o processo [construção do armazém] continuava em marcha", afirmou à agência Lusa Nuno Sequeira, lamentando este desfecho.
Apesar da decisão, o ambientalista diz que o MIA não se pode deixar abater, porque esta pode ser uma solução retaguarda para as outras centrais.
Quer isto dizer que a entrada em funcionamento do ATI, poderá servir para receber resíduos das outras centrais nucleares espanholas, visto que Almaraz tem capacidade para armazenar os seus resíduos até ao final da sua vida útil.
"Essas centrais também necessitam de um local para armazenar os seus resíduos, uma vez que o processo de construção do armazém de resíduos nucleares central (ATC) está parado a nível judicial", explicou.
"Pedimos uma reunião com o ministro do Ambiente e com o ministro da Administração Interna. E é isso que vamos fazer depois desta notícia que veio de Espanha e exigir que Portugal tenha uma posição mais firme junto do Governo Espanhol", frisou.
Nuno Sequeira explica que esta é uma decisão "inconsistente" da parte do novo Governo espanhol, uma vez que deu conta que teria interesse em encerrar as centrais nucleares no final do seu período de vida.
"Portanto, Almaraz seria encerrada em junho de 2020. Sabemos que a central de Almaraz tem capacidade para armazenar os seus resíduos até ao final do período de vida. Obviamente poderá aqui haver uma salvaguarda ou estar por trás disto uma eventual prorrogação do período de vida de Almaraz, mas também não queremos ser pessimistas a esse ponto", disse.
O membro do MIA insistiu que espera que esta seja uma apenas solução de retaguarda para armazenar os resíduos nucleares das outras centrais e que esta decisão, de forma nenhuma, possa colocar em causa a não renovação da licença da central de Almaraz, pós 2020.
"Espero que o governo espanhol seja consequente com as suas intenções e com aquilo que é a segurança pública e segurança ambiental e que, efetivamente, não autorize a renovação da licença de Almaraz depois de junho de 2020 e que a central encerre ao final dos seus 40 anos de vida", concluiu.
A funcionar desde o início da década de 1980, a central está situada junto ao Tejo e faz fronteira com os distritos portugueses de Castelo Branco e Portalegre, sendo Vila Velha de Ródão a primeira povoação portuguesa banhada pelo Tejo depois de o rio entrar em Portugal.
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