"Foi um erro suspender o serviço militar obrigatório", defendeu Friedrich Merz.
O chanceler alemão defendeu esta segunda-feira o reforço do rearmamento do país e o regresso do serviço militar, cuja obrigatoriedade foi eliminada em 2011, considerando que o exército deve voltar a ocupar um papel central na sociedade.
"O exército deve regressar ao centro da nossa sociedade. Foi um erro, como sabemos esta segunda-feira, suspender o serviço militar obrigatório", disse Friedrich Merz, num discurso feito na abertura da conferência do Dia da Indústria, organizada em Berlim pela Federação das Indústrias Alemãs (BDI).
O chanceler observou que, dadas as necessidades do exército alemão - que, segundo o Ministério da Defesa, necessita de entre 250.000 e 260.000 militares até 2029, um aumento significativo face aos atuais 181.000 soldados -, o país deve voltar a ter serviço militar.
Para expandir o exército, o líder do Governo alemão pediu a colaboração da comunidade empresarial, alegando que o aumento dos efetivos militares é algo que "não se consegue sem o apoio e a assistência das empresas".
O crescimento das capacidades militares da Alemanha "não funcionará sem a vontade de dar aos funcionários a liberdade necessária para servir nas Forças Armadas durante uma ou duas semanas", referiu Merz, antes de se dirigir ao presidente da BDI, Peter Leibinger, que defendeu que as atuais crises geopolíticas também representam oportunidades.
"Se partilharmos este entendimento básico, estou confiante de que faremos realmente o que disse que deveríamos fazer numa crise, ou seja, aproveitar as oportunidades", afirmou o chanceler alemão num dos momentos mais aplaudidos de um discurso em que sublinhou a necessidade de rearmar o país após décadas em que os europeus cederam a sua segurança aos Estados Unidos.
"Os EUA já não são os EUA que conhecíamos há 40 anos. O país está a mudar e a política também está a mudar, independentemente da administração atual", observou Merz.
"Os norte-americanos aceitaram a nossa abordagem à política de segurança durante muitos anos e décadas, mas já não aceitam e não vão regressar à sua antiga forma de pensar, mesmo após outra mudança de Governo", considerou, sublinhando que a Europa precisa de reforçar a sua segurança.
"Nós, europeus, precisamos de nos defender, precisamos de nos tornar mais fortes", disse Merz, cujo ministro da Defesa, o social-democrata Boris Pistorius, já recebeu a aprovação do Ministério das Finanças para contratar 10 mil novos soldados e mil trabalhadores civis este ano, segundo avançou a edição de fim de semana do jornal Bild.
O chanceler reafirmou ainda o seu apoio à ofensiva militar lançada por Israel contra o Irão, a 13 de junho, e defendeu o ataque norte-americano às instalações nucleares iranianas, afirmando que "deixar as coisas como estavam não era uma opção".
"Ainda não há razão para criticar o que os Estados Unidos fizeram no último fim de semana. Sim, não é isento de riscos, mas deixar as coisas como estavam também não era uma opção", disse.
Na semana passada, o líder conservador afirmou, à margem de uma reunião do G7 (dos sete países mais industrializados do mundo), que Israel tinha feito o "trabalho sujo" do Ocidente ao bombardear instalações estratégicas iranianas, uma declaração que se tornou polémica tanto na Alemanha como no estrangeiro.
"Israel está sob ataque há anos, até décadas (...). O financiamento do Hamas, do Hezbollah, das milícias no Iraque e em muitas outras partes do mundo vem do Irão", alegou o líder alemão, que classificou o país do Médio Oriente como "um regime terrorista" e "parte essencial do Eixo do Mal", frase utilizada pelo ex-presidente norte-americano George W. Bush para justificar a guerra do Iraque de 2003.
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