Tribunal sul-africano rejeitou recurso de um órgão governamental que pretendia classificar os objetos pessoais como património e impedir a sua venda em leilão.
Um tribunal sul-africano rejeitou um recurso da Agência do Património da África do Sul que impedia que alguns objetos pessoais do antigo presidente do país, Nelson Mandela, pudessem ser vendidos, avança a BBC.
Entre os objetos, num total de 70, estão a chave da cela de Robben Island onde o herói da luta contra o Apartheid esteve preso durante 18 anos, um par de óculos de sol e uma das suas famosas camisas com flores estampadas.
Os objetos pertencem à sua filha mais velha, Makaziwe Mandela, e a Christo Brand, um guarda da prisão durante o período em que Mandela esteve preso, que se tornou seu amigo.
Ao tentar impedir a venda, as autoridades sul-africanas alegaram que faziam parte do património do país e, portanto, estavam legalmente protegidos contra exportação.
A Agência de Recursos Patrimoniais da África do Sul tomou conhecimento da possível venda através de um artigo num jornal britânico, em 2021, que afirmava que a chave seria vendida por mais de um milhão de euros. E pediu na altura a suspensão do leilão e adevolução dos bens.
No texto da decisão, o Supremo Tribunal de Apelação da África do Sul argumenta que a interpretação da Agência de Recursos Patromoniais sobre os objetos era excessivamente ampla.
A decisão também afirma que, enquanto Makaziwe e Brand explicaram detalhadamente porque os bens não podem ser considerados património do país, a agência não o fez
Não está ainda claro, contudo, se Agência de Recursos Patrimoniais da África do Sul vai recorrer a outras vias legais para tentar impedir a venda dos objetos pessoais de Mandela.
"Ninguém está mais empenhado em garantir que o legado de Tata [Mandela] perdure da maneira como ele gostaria de ser lembrado do que aqueles que carregam o seu nome", reagiu a filha de Mandela, acrescentando que ainda não tomou qualquer decisão relativamente aos bens que poderão ir a leilão.
Nelson Mandela morreu em 2013, aos 95 anos, e recebeu o Nobel da Paz em 1993.
Mandela tornou-se no primeiro presidente eleito democraticamente da África do Sul em 1994.
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