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Correio da Manhã

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Cheias submergem estrada de Pemba que liga capital do Norte ao resto de Moçambique

Quase 3.500 casas foram parcial ou totalmente destruídas, pelo menos 16 mil pessoas foram afetadas pelo ciclone e há mais de 18 mil pessoas em 22 centros de acomodação.
28 de Abril de 2019 às 15:12
Ciclone Kenneth
Ciclone tropical Kenneth
Ciclone Kenneth
Ciclone Kenneth
Ciclone ‘Kenneth’ deixou um rasto de destruição na província de Cabo Delgado
Ciclone Kenneth
Ciclone tropical Kenneth
Ciclone Kenneth
Ciclone Kenneth
Ciclone ‘Kenneth’ deixou um rasto de destruição na província de Cabo Delgado
Ciclone Kenneth
Ciclone tropical Kenneth
Ciclone Kenneth
Ciclone Kenneth
Ciclone ‘Kenneth’ deixou um rasto de destruição na província de Cabo Delgado
A principal estrada de ligação de Pemba ao resto de Moçambique está cortada depois de as cheias na região, após o ciclone Kenneth, terem criado uma corrente que cobre quase um quilómetro da via.

A chuva forte da madrugada e manhã deste domingo na região da capital provincial de Cabo Delgado, Norte do país, encheu rapidamente uma zona baixa de três hectares de pastagens ao lado da Estrada Nacional 1 (EN1), a cerca de 15 quilómetros da cidade.

O lago que ali se criou transbordou por cima da via para um campo mais baixo que se situa do outro lado do asfalto.

O pavimento da estrada permanece intacto, apesar de sinais de erosão do talude que o sustenta.

A corrente que cobriu a estrada formou-se pela manhã e tem estado a abrandar durante a tarde.

Do lado a leste, à saída de Pemba, a polícia impede que, por prevenção, os carros se aproximem da zona coberta pela água, mas do lado oeste os veículos que querem entrar na capital provincial tentam a sua sorte.

À vez, cada qual tem atravessado a corrente, lado a lado com pessoas que, carregadas com bagagens ou com bebés de colo, fazem a travessia a pé.

"Foi difícil, mas não tem outro jeito", referiu Belinha Cipriano, depois de enfrentar a corrente com bagagens e a filha, Luísa, enrolada numa capulana (tecido) entre os braços.

"Já tinha visto isso assim antes, em 2002", recorda Armando Amade, que se desloca para Pemba porque um filho tem a casa inundada, no bairro de Natite.

A cidade também foi palco de cheias repentinas nas zonas ciclicamente mais afetadas após a chuva da manhã deste domingo.

As previsões apontam para um abrandamento da precipitação em Pemba e fonte ligada às autoridades disse à Lusa que se espera que a corrente que está a submergir a EN1 desapareça nas próximas horas, assim que os níveis pluviométricos foram reestabelecidos.

O ciclone Kenneth dissipou-se no sábado, mas semeou chuva com intensidade em diversas zonas das províncias de Cabo Delgado e Nampula que ainda deverão prolongar-se pelos próximos dias e com alertas para as bacias de vários rios da região.

Pemba tinha escapado à entrada do ciclone em terra, na quarta-feira, mas o pior por acabou por chegar este domingo.

O ciclone Kenneth foi o primeiro, desde que há registos, a atingir o Norte de Moçambique, onde provocou cinco mortos, segundo número oficiais e numa altura em que ainda decorrem levantamentos em zonas mais remotas.

Quase 3.500 casas foram parcial ou totalmente destruídas, pelo menos 16 mil pessoas foram afetadas pelo ciclone e há mais de 18 mil pessoas em 22 centros de acomodação.
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