Mike Pompeo alerta que a organização é uma ameaça para a segurança nacional dos EUA.
O diretor da agência de informações norte-americana (CIA, na sigla em Inglês), Mike Pompeo, classificou esta quinta-feira a WikiLeaks como um "serviço de informações hostil" e uma ameaça para a segurança nacional dos Estados Unidos da América (EUA).
No seu primeiro discurso público desde que foi nomeado para dirigir a CIA, este antigo congressista republicano aumentou a hostilidade da agência para com a WikiLeaks e o seu fundador, Julian Assange, acusando-os de entendimento com ditadores.
Apesar de "Assange e os seus iguais" dizerem que agem em nome da liberdade e privacidade, Pompeo contrapôs que, na realidade, a sua missão é "o enaltecimento pessoal através da destruição dos valores ocidentais".
Para Pompeo, "a WikiLeaks anda como um serviço de informações hostil e fala como um serviço de informações hostil".
Esta avaliação da WikiLeaks difere de forma significativa da que era feita por Donald Trump.
O ocupante da Casa Branca dizia, antes da eleição presidencial, que estava feliz por ver a WikiLeaks revelar mensagens de correio eletrónico do diretor da campanha presidencial de Hillary Clinton, John Podesta, prejudiciais para a candidata democrata.
A Casa Branca já veio defender Trump, dizendo que havia uma grande diferença entre a WikiLeaks publicar mensagens de correio eletrónico roubadas e pessoais de uma figura pública ou documentos sobre os instrumentos de segurança nacional usados pela CIA.
Em março, a WikiLeaks publicou cerca de oito mil documentos que, disse, revelam segredos sobre os instrumentos de ciberespionagem usados pela CIA para espiar computadores, telemóveis e até aparelhos de televisão. Antes, embaraçou o Departamento de Estado, ao relevar 250 mil mensagens, e os militares norte-americanos ao libertar centenas de milhares de ficheiros sobre utilização de computadores no Iraque e Afeganistão.
Pompeo destacou que em janeiro agentes de informações dos EUA determinaram que espiões militares russos usaram a WikiLeaks para divulgar informação obtida através de operações cibernéticas contra o Comité Nacional Democrata.
O chefe da CIA acrescentou que aqueles agentes norte-americanos também apuraram que a rede televisiva russa RT, controlada pelo Estado, colaborou ativamente com a WikiLeaks.
Criticou ainda Edward Snowden, o antigo subcontratado da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em Inglês) que publicou documentos reveladores de programas governamentais de vigilância generalizada.
Snowden vive na Federação Russa. Assange, um australiano, tem vivido nos últimos quatro anos na embaixada do Equador em Londres. Recebeu asilo político depois de evitar a extradição para a Suécia, onde é pretendido devido a uma alegação de violação.
"Enquanto fazemos o nosso melhor para reunir discretamente informação sobre os que representam ameaças reais para o nosso país, indivíduos como Julian Assange e Edward Snowden procuram usar essa informação para se fazerem um nome", disse Pompeo, ao intervir num centro de reflexão de Washington, o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.
"Enquanto continuarem a fazer sensação, não se preocupam nada com as vidas que colocam em risco ou os danos que causam à segurança nacional", acrescentou.
Em artigo de opinião publicado na quarta-feira no The Washington Post, Assange defendeu as suas revelações, que descreveu como "verdades sobre enganos e abusos feitos em segredo pelos poderosos".
No texto, Assange escreveu: "As nossas revelações mais recentes descrevem o programa da CIA para a guerra cibernética, no valor de vários milhares de milhões de dólares, com o qual a agência criou perigosas ciberarmas, visando produtos de empresas privadas, perdendo depois o seu controlo".
Pompeo não confirmou que os instrumentos de ciberespionagem revelados pela WikiLeaks pertencessem à CIA. Mas desde que foram conhecidos, o Governo norte-americano só não admitiu publicamente tal facto. Em entrevista, Trump afirmou: "Quero que as pessoas saibam que a CIA foi pirateada e muitas coisas levadas".
Na segunda-feira, uma empresa de segurança informática estimou que os instrumentos revelados pela WikiLeaks estiveram ligados a 40 operações de espionagem em 16 países. A Symantec ligou-as a infiltrações eletrónicas de empresas e organizações internacionais, financeiras, de energia e aeroespaciais.
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