Cabo Delgado enfrenta desde outubro de 2017 uma rebelião armada.
Populares em Ancuabe, um distrito na província moçambicana de Cabo Delgado, manifestaram-se esta sexta-feira preocupados com a circulação de supostos terroristas nas aldeias próximas à vila sede.
"Estávamos a jogar ludo quando vizinhos nos alertaram para a circulação de um grupo significante de homens estranhos na nossa aldeia. Logo percebemos que se trata de terroristas", disse à Lusa um residente da aldeia de Nanoa, a partir de Ancuabe-sede, onde se refugiou.
Os supostos rebeldes, jovens na sua maioria, foram vistos por volta das 17h00 (16h00 em Lisboa) de segunda-feira nas aldeias de Nanoa, Natocoa e Nangumi, distrito de Ancuabe, que se localiza a quase 150 quilómetros da cidade de Pemba, empunhando armas, o que culminou com a fuga de algumas pessoas destas comunidades, relataram as fontes.
"Muitos abandonaram as suas machambas [campos de produção agrícola] por medo", explicou à Lusa outra fonte de Nanoa.
"Até os trabalhadores de uma empresa de processamento de grafite que está nesta região entraram em pânico porque eles passaram exatamente próximo a empresa, no interior de Nangumi", indicou uma outra fonte.
Cabo Delgado enfrenta desde outubro de 2017 uma rebelião armada com ataques reclamados por movimentos associados ao grupo extremista Estado Islâmico.
O último grande ataque deu-se em 10 e 11 de maio, à sede distrital de Macomia, com cerca de uma centena de insurgentes a saquearem a vila, provocando vários mortos e fortes combates com as Forças de Defesa e Segurança de Moçambique.
A população de outros distritos da província tem relatado a movimentação destes grupos de insurgentes, que provocam o pânico à sua passagem, nas matas, mas sem registo de confrontos, o que acontece numa altura em que os camponeses tentam realizar trabalhos de colheita nos campos de cultivo.
O Presidente de Moçambique afirmou em 16 de junho que a ação das várias forças de defesa permitiu acabar com "praticamente todas" as bases dos grupos terroristas que operam em Cabo Delgado, que se limitam agora a "andar no mato".
A visita de Filipe Nyusi à Zâmbia, que faz fronteira com Moçambique através da província de Tete (centro), visa reforçar a cooperação entre os países, com destaque para os setores portuários, turismo e energia, estando prevista a assinatura de diversos memorandos.
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