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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Colombianos vão às urnas no domingo para a segunda volta das presidenciais

De la Espriella é considerado o favorito na corrida após vencer a primeira volta das presidenciais, que aconteceu em 31 de maio.

19 de junho de 2026 às 07:34

Os 41,4 milhões de eleitores colombianos vão às urnas no domingo para a segunda volta das presidenciais, quando decidirão entre o candidato da extrema-direita Abelardo de la Espriella e o representante da esquerda, Iván Cepeda.

De la Espriella é considerado o favorito na corrida após vencer a primeira volta das presidenciais, que aconteceu em 31 de maio, com 43,7% dos votos dos colombianos contra 40,9% de Cepeda.

Desde o início da campanha que as sondagens mostravam o senador Iván Cepeda -- candidato do Pacto Histórico e de uma coligação de esquerda - como o favorito, pois contava com o apoio do Presidente colombiano cessante, Gustavo Petro. No entanto, o filósofo e ativista dos direitos humanos, de 63 anos, não conseguiu o apoio necessário para vencer na primeira volta.

Com 48 anos, De la Espriella, autodenominado "O Tigre", é considerado um político antissistema e lidera o recém-criado movimento Defensores da Pátria.

Admirador do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, De la Espriella fez fortuna como advogado de defesa de clientes controversos, como o empresário colombiano-venezuelano Alex Saab, atualmente detido nos Estados Unidos, ou David Murcia Guzmán, protagonista do maior esquema em pirâmide da Colômbia. O candidato da extrema-direita defendeu também paramilitares acusados de tráfico de droga nos tribunais da Colômbia, o maior produtor mundial de cocaína.

De la Espriella acolheu com satisfação o apoio recebido de Trump, prometendo estabelecer relações "como nunca antes" com os Estados Unidos, que "desempenha um papel decisivo na luta contra o crime e o narcoterrorismo".

O candidato da extrema-direita tem promovido uma visão para o país focada em proporcionar oportunidades a quem "nunca" as teve, com o objetivo de "salvar" a Colômbia de quatro ameaças: autoritarismo, violência criminal, corrupção política e infiltração do narcotráfico e das economias ilegais.

Já Cepeda tem um programa focado "numa profunda mudança de consciência e de regras" e assente numa "revolução ética", além de componentes económicas, sociais, políticas e democráticas.

Em relação à questão da segurança, De la Espriella reiterou que a política de "paz total" de Gustavo Petro é uma "traição à nação" e, por isso, não negociará com os criminosos envolvidos no conflito armado.

Cepeda, que participou como mediador nas negociações de paz entre o Governo colombiano e as antigas guerrilhas das FARC que levaram ao acordo de paz de 2016 - e posteriormente nas negociações falhadas com as guerrilhas do Exército de Libertação Nacional (ELN) -, afirmou que estes processos são uma das soluções para o fim do conflito armado no país.

Estão em causa dois modelos económicos nestas eleições: um que defende o ajustamento orçamental, a redução da dimensão do Estado e a revitalização da indústria petrolífera, defendido por De la Espriella; e outro defendido por Cepeda, que preconiza uma "revolução económica e social" para acabar com a pobreza, reduzir a desigualdade e gerar prosperidade.

A campanha para as eleições presidenciais na Colômbia - país com 53,9 milhões de habitantes - foi a mais violenta dos últimos oito anos, não só devido às ameaças contra os candidatos, mas também devido ao aumento da insegurança e violência em vários pontos do país.

Entre os muitos problemas que a Colômbia enfrenta, o ressurgimento do conflito armado, narcotráfico e a corrupção estão entre os mais urgentes que o Presidente eleito vai ter de enfrentar no país.

A Colômbia também precisa melhorar o seu desempenho económico, marcado pelo aumento da dívida pública, deterioração fiscal e desaceleração do investimento estrangeiro, de forma a manter o progresso social implementado pelo Governo de Petro.

A missão de observação eleitoral (MOE) da Organização dos Estados Americanos (OEA) e a missão de observação eleitoral da União Europeia (MOE-UE) irão acompanhar esta segunda volta das presidenciais, após estarem presentes nos sufrágios anteriores.

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