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Comandante do exército diz que Bolsonaro não representa os militares

Imagem que Bolsonaro tenta passar e o seu estilo podem ser um risco para a estabilidade e a neutralidade das Forças Armadas, diz general.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 12 de Novembro de 2018 às 15:40
Jair Bolsonaro
Bolsonaro
Jair Bolsonaro, Presidente, Brasil
Jair Bolsonaro
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Jair Bolsonaro, Presidente, Brasil
Jair Bolsonaro
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Jair Bolsonaro, Presidente, Brasil

Em declarações fortes e directas que devem ter desagradado bastante ao presidente eleito em Outubro, que disputou as presidenciais vincando a imagem de um militar cioso das suas origens, da disciplina e da hierarquia, o comandante-geral do Exército brasileiro, general Eduardo Villas Boas, afirmou que Jair Bolsonaro não representa os militares, não representa as Forças Armadas. Em entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo", o general acrescentou que, além disso, a imagem que Bolsonaro tenta passar e o seu estilo podem ser um risco para a estabilidade e a neutralidade das Forças Armadas.

"A imagem do Bolsonaro como militar é uma imagem que vem de fora (das Forças Armadas). Ele saiu do Exército em 1988. Ele é muito mais um político. Mas ele foi muito hábil quando saiu para se candidatar a vereador, passou a gravitar em torno dos quartéis, explorando questões que diziam respeito ao dia a dia dos militares. Ele nunca se envolveu com questões estructurais da defesa do país, mas aí criou-se essa imagem de que ele é um militar."-Declarou o general.

Villas Boas teve a delicadeza de não citar que Jair Bolsonaro sempre foi considerado um mau militar, acusado pelos seus superiores de agressividade e ambição em excesso, e de que, na verdade, chegou a ser preso em 1987, foi expulso do Exército sem patente e readimitido em 1988 por ordem judicial, tendo decidido então deixar a farda e ser político. Mas o comandante-geral da mais importante força militar do Brasil está preocupado com a possibilidade de o estilo adoptado pelo presidente eleito contaminar os quartéis, que se mantiveram atentos mas neutros nas últimas décadas mesmo ante as graves crises políticas e sociais por que o Brasil passou.

"Estamos a tratar com muito cuidado essa interpretação de que a eleição dele representa o regresso dos militares ao poder. Absolutamente não é. Alguns militares foram eleitos, outros fazem parte da equipa dele, mas institucionalmente há uma separação. E nós estamos a trabalhar com muita ênfase para caracterizar essa separação, porque queremos evitar que a política volte a entrar nos quartéis."-Complementou o general.
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