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Comprimido que já é comercializado pode ser solução para o Alzheimer

Experiências com ratos tiveram sucesso. A comprovar-se o êxito, um só comprimido pode resolver os problemas cardiovasculares e demência.
Sofia Martins Santos 8 de Outubro de 2019 às 11:56
Alzheimer
Alzheimer FOTO: Getty Images

Uma equipa de investigadores experimentou um tratamento inovador e descobriu que um anticoagulante oral de ação direta pode ser a solução para atrasar o aparecimento da doença de Alzheimer.

A experiência foi levada a cabo pelo Centro Nacional de Investigações Cardiovasculares (CNIC) que submeteu ratos a este tratamento experimental durante 12 meses. A equipa avançou com esta pesquisa depois de analisar de perto o pressuposto de que o cérebro está cada vez mais interligado com o coração: Trata-se, por isso, de um fármaco que é comercializado para pacientes com problemas cardiovasculares. E, como esperavam os investigadores, parece ser capaz de retardar o aparecimento desta doença. Para já, de acordo com a imprensa espanhola, apenas foi testado em ratos, mas o sucesso dos resultados trouxe uma nova esperança para os doentes desta doença.

Ou seja, a confirmar-se o êxito do tratamento também em pessoas, um só comprimido pode resolver os problemas cardiovasculares e afastar a doença de Alzheimer.

A verdade é que, nos últimos anos, alguns estudos com ratos apontavam precisamente para esta relação que fica agora ainda mais na mira dos cientistas. Os vasos sanguíneos que nutrem o cérebro podem ser afetados pela mesma proteína que danifica as artérias que vão para o coração. As pesquisas indicavam que era por esta razão que as células cerebrais não recebiam o oxigénio e os nutrientes necessários ao bom funcionamento do organismo, acabando por morrer.

Enquanto esta experiência se realizava, a investigadora Marta Cortés estudava ainda mais a fundo a doença na Universidade de Rockefeller, em Nova Iorque, EUA. "Começámos a estudar o aumento de tromboses como um dos factores cruciais para o desenvolvimento da doença de Alzheimer", esclareceu.

O tratamento para esta doença é uma das conquistas mais desejadas a nível mundial dado o envelhecimento progressivo da população. Os números relacionados com esta doença mostram que atualmente há mais de 30 milhões de pessoas a sofrer com esta doença em todo o mundo e as previsões não são otimistas. Estima-se que o número triplique até 2050 e os especialistas apontam mesmo para o facto de, a cada três segundos, aparecer um novo caso. Sim. Leu bem. É um autêntico tic-tac, tic-tac, tic-tac. A cada três segundos é diagnosticado um novo caso de demência. 

O mais preocupante é que, até agora, os tratamentos existentes apenas ajudam a tratar temporariamente os problemas de memória. Falta um tratamento capaz de deter ou reverter, em alguns casos, os danos.

O Alzheimer é a forma mais comum de demência e é responsável por cerca de 70% dos casos. É, até agora, irreversível, progressiva e responsável pela perda de raciocínio, memória e capacidades sociais. Em Portugal, é uma doença que pode vir a ser uma das mais complicadas em número de doentes afetados. Estima-se que até 2037 existam 322 mil casos de demência e, a verificar-se a previsão, colocará o país no topo da lista do grupo da OCDE com mais casos.

Cinco décadas para erradicar a doença
"Há oitenta anos, era o vírus da pólio. Hoje, a nossa epidemia é a Alzheimer" pode ler-se no site oficial da United Neuroscience. Com uma equipa composta por membros especializados em neurologia, vacinação e medicamentos, este grupo tem estado focado em criar um novo tipo de vacinas que preparam o organismo para tratar e prevenir patologias neurológicas.

A United Neuroscience avançou com uma vacina contra esta doença e conseguiu passar a fase de teste. A UB-311 fez correr muita tinta este ano porque responde negativamente aos anticorpos beta-amilóide, a proteína responsável por provocar este tipo de doença. A UB-311 foi usada em mais de 40 doentes que a toleraram bem. No entanto, ainda não está completamente testada e não existem, para já, evidências sólidas de que tenham um verdadeiro impacto na memória e cognição.

"Não temos medo de ser corajosos nem de tentar alcançar o impossível. Estamos determinados a transformar as vidas dos pacientes afetados por Alzheimer, Parkinson e outras patologias bem como as dos seus familiares" defende a United Neuroscience. O objectivo maior é apenas um: usar os próximos 50 anos para proteger as pessoas de doenças como o Alzheimer.

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