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Confrontos em Tirana contra projetos da família Trump provocam 6 feridos

Alguns manifestantes tentaram invadir o edifício do parlamento, o que levou a polícia a responder com gás lacrimogéneo e a efetuar detenções.

02 de julho de 2026 às 13:31

Confrontos entre manifestantes e a polícia de choque em frente ao parlamento albanês, em Tirana, fizeram esta quinta-feira seis feridos, durante mais um dia de protestos contra projetos imobiliários de luxo ligados à família Trump.

Três dos feridos são polícias e os restantes são manifestantes, avançou a estação de televisão albanesa Top Channel.

Segundo a mesma fonte, os confrontos começaram quando vários manifestantes derrubaram barreiras metálicas, atiraram pedras contra a polícia e até ovos contra veículos de deputados.

Alguns manifestantes tentaram invadir o edifício do parlamento, o que levou a polícia a responder com gás lacrimogéneo e a efetuar detenções.

Embora a manifestação da manhã desta quinta-feira tenha reunido apenas algumas centenas de pessoas, a participação nos protestos -- que já decorrem há mais de um mês - costuma aumentar à noite, quando milhares de cidadãos marcham pela principal avenida de Tirana.

Os protestos fazem parte do que ficou conhecido como a "Revolução dos Flamingos", que começou por ser uma oposição ao processo de vedação de terras que antes eram de uso comum ou de acesso público nas zonas húmidas costeiras em redor do Lago Vjosa-Narta, perto de Vlora, para a construção de projetos turísticos de luxo.

Entre estes projetos está um 'resort' ligado a investimentos de Jared Kushner, genro do Presidente dos EUA, Donald Trump, através da sua empresa Affinity Partners, bem como outro empreendimento na ilha de Sazan.

Os flamingos cor-de-rosa destes pântanos no sudoeste da Albânia, onde vivem mais de 200 espécies protegidas, tornaram-se o símbolo de um protesto que evoluiu para um movimento mais amplo contra a corrupção.

O movimento denuncia o Estado por 'fechar os olhos' enquanto os oligarcas se apropriam de valiosas terras costeiras, num processo que consideram um exemplo de privatização de bens públicos.

Além da demissão do primeiro-ministro socialista Edi Rama e do seu gabinete, os manifestantes exigem a formação de um Governo tecnocrático interino durante 12 meses, reformas constitucionais que limitem a dois os mandatos do primeiro-ministro e a revogação da lei dos "investimentos estratégicos", que consideram responsável por facilitar tais empreendimentos.

O movimento exige ainda a saída de Sali Berisha, líder do Partido Democrático, da oposição conservadora, a quem acusam de fazer parte de um sistema político que consideram corrupto e que rejeitam totalmente.

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