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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Coreia do Sul não vai aderir ao boicote diplomático aos Jogos Olímpicos de Inverno

"Precisamos das ações construtivas da China para permitir a desnuclearização da Coreia", disse Presidente da Coreia do Sul.

13 de dezembro de 2021 às 09:37

O Presidente da Coreia do Sul afirmou esta segunda-feira, em Sydney, que não vai aderir ao boicote diplomático dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, destacando a necessidade de uma cooperação contínua com a China.

"Precisamos das ações construtivas da China para permitir a desnuclearização da República Popular Democrática da Coreia [nome oficial da Coreia do Norte], disse Moon Jae-in, que se encontra numa visita oficial de três dias à Austrália, durante a qual vai assinar uma série de acordos de cooperação tecnológica e militar.

Estes incluem a venda de armamento à Austrália, no valor de cerca de 636 milhões de euros.

Seul vai continuar a promover uma região livre e aberta no Pacífico, mas, ao mesmo tempo, ter em conta o papel da China na tentativa de trazer a paz à península coreana, indicou.

A Coreia do Sul quer manter boas relações com Pequim, sublinhou o chefe de Estado sul-coreano, acrescentando que não ter planos para aderir ao boicote diplomático dos Estados Unidos e da Austrália, ao qual se juntaram o Reino Unido e o Canadá.

Estes quatro países vão enviar atletas, mas não responsáveis, decisão criticada pela China, que advertiu já estes países que "vão pagar o preço por esta jogada errada".

O apelo ao boicote foi feito em defesa dos direitos humanos, nomeadamente da minoria uigure em Xinjiang e o declínio das liberdades em Hong Kong.

Entretanto, em Seul, o ministro das Finanças sul-coreano, Hong Nam-ki, anunciou que o país quer aderir ao Acordo global e progressivo de parceria transpacífica (CPTPP).

Numa reunião com membros do executivo, Hong indicou que o Governo quer reforçar a posição do país em termos de comércio e investimento, de acordo com a agência noticiosa sul-coreana Yonhap.

Até agora, Seul tinha dito estar "a estudar ativamente" a possibilidade de aderir ao CPTPP, um acordo que exige uma grande abertura dos mercados internos, uma questão sensível na Coreia do Sul, onde o setor agrícola se opõe fortemente à adesão, com o argumento de que os agricultores sul-coreanos vão ser prejudicados.

Hong afirmou que a Coreia do Sul está também a preparar-se para retomar as conversações sobre de acordos de comércio livre (ACL) com o México e o Conselho de Cooperação para os Estados Árabes do Golfo.

O CPTPP, com 11 países signatários (Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Singapura e Vietname), é a versão renegociada do Acordo de Parceria Transpacífico (TPP), liderado pela administração norte-americana de Barack Obama e mais tarde desmantelado pelo ex-Presidente Donald Trump.

O anúncio da Coreia do Sul chega três meses depois de a China, e também Taiwan, terem iniciado os procedimentos para aderir ao CPTPP.

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