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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Coreógrafo neerlandês Hans van Manen morre aos 93 anos

Professor de ballet deixou um legado de mais de 125 coreografias, integradas no repertório de companhias em todo o mundo, incluindo o antigo Ballet Gulbenkian.

18 de dezembro de 2025 às 14:22

O coreógrafo neerlandês Hans van Manen, considerado uma das figuras centrais da dança contemporânea europeia, frequentemente apelidado de "mestre da simplicidade", morreu aos 93 anos, anunciou a Ópera e Ballet Nacional dos Países Baixos.

O coreógrafo e professor de ballet mais famoso da sua geração, como noticiam esta quinta-feira os jornais internacionais, deixou um legado de mais de 125 coreografias, integradas no repertório de companhias em todo o mundo, incluindo o antigo Ballet Gulbenkian. A Companhia Nacional de Bailado dedicou-lhe uma temporada.

Nascido em 1932, em Nieuwer-Amstel, atual Amstelveen, perto de Amesterdão, Hans van Manen iniciou a sua formação em dança no início da década de 1950, após uma infância marcada por dificuldades económicas e pela proximidade com o meio teatral, no Stadsschouwburg.

Hans van Manen estreou-se como coreógrafo em 1955 e, dois anos depois, recebeu o Prémio Estatal de Coreografia.

Ao longo de uma carreira que se estendeu por mais de seis décadas, Hans van Manen dirigiu artisticamente o Nederlands Dans Theater e foi coreógrafo residente do Het Nationale Ballet, alcançando particular reconhecimento nas décadas de 1970 e 1980.

Obras como "Adagio Hammerklavier" e "Sarcasmen" são consideradas marcos do ballet moderno, segundo o jornal DutchNews.

Conhecido por um estilo depurado e neoclássico, Hans van Manen introduziu uma abordagem considerada inovadora ao colocar homens e mulheres em pé de igualdade no palco, rompendo com as hierarquias tradicionais do ballet clássico.

"A dança expressa dança, e nada mais", afirmou certa vez o coreógrafo -- citado pelo DutchNews e pelo El País -, um credo que definiu uma carreira de mais de seis décadas.

A sua obra integra o repertório de mais de uma centena de companhias internacionais, incluindo o Ballet da Ópera de Paris, o Ballet de São Francisco, o Ballet de Estugarda e o Ballet Nacional do Japão.

Hans van Manen trabalhou ainda com intérpretes consagrados, como Rudolf Nureyev e Natalia Makarova.

Em 2000, o coreógrafo foi distinguido com o Prémio Erasmus, uma das mais importantes distinções culturais europeias, tornando-se o quinto neerlandês a recebê-lo, e, em 2018, foi agraciado com uma condecoração pelo rei Guilherme Alexandre.

O jornal The New York Times destaca que o coreógrafo se manteve ativo e presente no meio cultural neerlandês até uma idade avançada, continuando a assistir a ensaios e a acompanhar de perto a vida artística.

A sua influência atravessou várias gerações e permanece viva nos corpos dos bailarinos e nos palcos internacionais, acrescenta o jornal.

Em Portugal, o trabalho de Hans van Manen teve particular expressão no repertório do Ballet Gulbenkian e da Companhia Nacional de Bailado (CNB).

Um dos seus bailados mais apresentados foi "Cinco Tangos", sobre música de Astor Piazzolla, que marcou temporadas do Ballet Gulbenkian e foi retomado pela CNB.

Na temporada 2019-2020, a CNB dedicou-lhe um programa integral, com peças criadas entre as décadas de 1970 e 1990, incluindo "Adagio Hammerklavier" (1973), de que a companhia já fizera a estreia nacional em 2010, "In the Future" (1986) e "Short Cut" (1999).

Este programa foi apresentado pela CNB em digressão nacional e internacional.

"Adagio Hammerklavier" é reconhecido pela companhia como um dos clássicos do século XX e considerado o bailado mais lírico e académico do coreógrafo. 

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